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Farmácias independentes fecham mais do que abrem e indicam nova fase do varejo farmacêutico no Brasil

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Nesta quinta-feira (12/02/2026), dados consolidados do varejo farmacêutico brasileiro até outubro de 2025 indicam uma mudança estrutural no perfil de crescimento do setor.

 

Levantamento da IQVIA Barter aponta que as farmácias independentes fecharam mais unidades do que abriram nos últimos anos, enquanto redes organizadas, associações e franquias ampliaram presença. O resultado é um setor em expansão no número total de lojas, mas com redução do espaço ocupado pelo pequeno varejo autônomo.

 

Queda das independentes contrasta com expansão do setor

Os números mostram que o saldo das farmácias independentes permanece negativo. Apenas em 2025, foram 6.555 unidades fechadas contra 5.459 abertas, gerando um saldo de -1.096 lojas.

 

No acumulado desde 2021, o número total de independentes caiu de 50.075 para 48.979 unidades em 2025. Em sentido oposto, o total de farmácias no país continuou a crescer, ultrapassando 93,5 mil estabelecimentos, impulsionado principalmente pela expansão das redes estruturadas.

 

Esse movimento indica uma mudança no modelo de crescimento do setor, que deixa de ser baseado na abertura de pequenos pontos independentes e passa a se concentrar em operações mais organizadas.

 

Mercado mais exigente e margens pressionadas

Para Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas, os dados não refletem uma crise generalizada, mas sim uma elevação do nível de exigência do mercado.

 

Segundo ele, o varejo farmacêutico brasileiro entrou em uma nova fase, com margens mais estreitas, competição intensa e maior pressão por eficiência operacional. Nesse contexto, operar bem deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para permanência no mercado.

 

Apesar da retração das independentes, o Brasil ainda mantém uma característica singular: mais da metade do varejo farmacêutico é formada por operações autônomas, modelo historicamente sustentado por cadeias de distribuição próximas e forte presença do associativismo.

 

 

Gestão técnica substitui modelo baseado na experiência

A análise dos últimos cinco anos indica que o pequeno varejo perdeu participação enquanto grupos estruturados ampliaram presença. Segundo Tamascia, isso ocorre principalmente por causa da complexidade crescente da gestão farmacêutica.

 

Hoje, o setor exige:

  • Controle rigoroso de estoque
  • Estratégia de categorias
  • Leitura de comportamento do consumidor
  • Disciplina operacional
  • Uso constante de dados de desempenho

 

Decisões baseadas apenas na experiência prática ou percepção do empresário deixaram de ser suficientes para garantir competitividade.

 

Dados e associativismo ganham papel central

Nesse novo ambiente, o uso de dados tornou-se elemento essencial da gestão. Informações sobre vendas, comportamento do consumidor e performance de categorias passaram a ser parte da rotina operacional, não mais um diferencial restrito a grandes redes.

 

Paralelamente, o associativismo ganha importância estratégica. Segundo Tamascia, a atuação em grupo oferece:

  • Acesso a inteligência de mercado
  • Processos padronizados
  • Treinamento e acompanhamento
  • Escala de negociação
  • Troca de experiências entre empresários

 

Esse modelo reduz a exposição do empreendedor individual a um ambiente mais competitivo e tecnicamente exigente.

 

Setor segue resiliente, mas com nova dinâmica

O varejo farmacêutico continua sendo considerado um segmento essencial e resiliente, com potencial de crescimento no país. No entanto, a dinâmica interna mudou.

 

A expansão atual ocorre principalmente por meio de operações estruturadas e redes associativas, enquanto o modelo tradicional de farmácia independente isolada enfrenta maiores dificuldades de adaptação ao novo ambiente competitivo.

 

Fonte: Jornal Grande Bahia
Foto: Reprodução