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Anvisa aprova medicamento que retarda surgimento do diabetes tipo 1

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Para a Sociedade Brasileira de Diabetes, liberação abre caminho para a prevenção integral da doença.

 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu um passo decisivo no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 (DM1) ao aprovar o teplizumabe, comercializado sob o nome Tzield.

 

O medicamento, desenvolvido pela Sanofi, é o primeiro imunomodulador com potencial para modificar o curso da doença, indo além da tradicional reposição de insulina ao atuar diretamente na história natural da patologia.

 

Quem pode se beneficiar?

A indicação do Tzield é específica para pacientes adultos e pediátricos, a partir dos 8 anos de idade, que se encontram no estágio 2 do diabetes tipo 1.

 

Nesta fase, a doença é considerada pré-sintomática: o paciente já apresenta autoanticorpos e alterações nos níveis de glicose, mas os sintomas clínicos ainda não se manifestaram. O objetivo central da terapia é retardar a transição para o estágio 3, momento em que a hiperglicemia se torna evidente e o diagnóstico clínico é estabelecido.

 

 

O que é o diabetes?

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico passa a atacar, por engano, as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. “Até agora, o tratamento era baseado apenas na reposição da insulina que o organismo havia deixado de produzir”, explica a médica Melanie Rodacki, coordenadora do departamento de diabetes tipo 1 adulto da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes). “Mas agora estamos entrando em uma nova fase, na qual é possível intervir no processo imunológico que leva à destruição dessas células. Isso abre uma perspectiva de modificar a história natural da doença e retardar o seu aparecimento clínico.”

 

A progressão do DM1 ocorre em quatro etapas distintas. Nos estágios 1 e 2, a doença é silenciosa, mas já pode ser identificada por meio de exames de sangue simples que detectam marcadores genéticos e autoanticorpos. O estágio 3 marca o surgimento de sintomas como sede excessiva, fadiga e perda de peso, enquanto o estágio 4 refere-se ao diabetes de longa duração. Com o novo tratamento, a medicina ganha uma ferramenta para intervir precocemente, reduzindo o impacto imediato de uma condição que, historicamente, só recebia atenção após a manifestação de sintomas graves.

 

O medicamento já foi aprovado pela FDA (Food and Drug Administration, órgão equivalente à Anvisa nos Estados Unidos), após um estudo publicado no The New England Journal of Medicine que mostrou que o teplizumab praticamente dobrou o tempo médio até o diagnóstico clínico em indivíduos com diabetes tipo 1 estágio 2.

 

Essa é a primeira terapia capaz de modificar a história natural do diabetes tipo 1, ao atrasar a progressão da doença.

 

“A notícia é muito importante porque, pela primeira vez, a medicina terá uma terapia capaz de interferir diretamente no processo imunológico que leva à destruição das células beta do pâncreas, antes mesmo do surgimento dos sintomas clínicos do diabetes”, explica Rodacki. Pesquisas mostram que ele consegue retardar o aparecimento do diabetes, em média, em dois anos.

 

Fonte: CNN
Foto: Reprodução