Nova norma amplia responsabilidade sobre saúde mental e força líderes a rever a forma de gerir pessoas. CEO da consultoria Falconi fala sobre o tema à EXAME.
A partir de maio de 2026, a entrada em vigor da nova NR-1 deve marcar uma virada silenciosa, e profunda, na gestão das empresas brasileiras.
A norma, que amplia a responsabilidade das organizações sobre a saúde mental dos funcionários, não cria apenas exigências regulatórias. Ela redefine, na prática, o papel do CEO.
Para Alexandre Ribas, CEO da Falconi, o impacto vai muito além do compliance.
“A principal mudança não está nas políticas, mas no fato de as empresas, no caso líderes e até CEOs, precisarem conhecer melhor as suas pessoas,” afirma o CEO.
De gestão operacional para gestão de pessoas de verdade
Durante anos, a gestão de pessoas em muitas empresas foi tratada de forma superficial, baseada em indicadores agregados, pesquisas pontuais e ações isoladas.
A NR-1 muda esse jogo. Na prática, CEOs e demais líderes da companhia passam a ter que responder por algo mais complexo: entender o que acontece com seus times no dia a dia, dentro e fora do ambiente de trabalho.
“Se você não conhece bem o seu time, fica muito difícil saber como cuidar da saúde mental,” afirma Ribas.

Isso significa ir além do básico e mergulhar em questões como:
- nível real de engajamento
- riscos de sobrecarga
- qualidade do ambiente de trabalho
- contexto pessoal dos funcionários
Para o CEO, isso deixa de ser um tema de RH e passa a ser um tema de gestão estratégica.
A empresa passa a ser corresponsável, e isso muda tudo
Outro ponto central da nova norma é a ampliação da responsabilidade das empresas.
“A responsabilidade das empresas passa a ser maior do que somente o ambiente profissional”, diz o CEO. “Não é simples fazer essa tarefa, porque muitas questões de saúde mental não estão só no ambiente de trabalho.”
Na prática, isso cria um novo nível de complexidade para a liderança.
Isso porque boa parte dos fatores que impactam a saúde mental, como problemas pessoais, financeiros ou familiares, não estão sob controle direto da empresa.
Ainda assim, o impacto recai sobre ela. Para CEOs, isso significa uma mudança de mentalidade: não basta oferecer benefícios, é preciso construir um ambiente sustentável de trabalho.
Mais do que bem-estar: impacto direto na performance
Embora o debate sobre saúde mental muitas vezes seja tratado como agenda social, o efeito é também econômico.
Empresas com equipes sobrecarregadas, desengajadas ou emocionalmente esgotadas tendem a apresentar:
queda de produtividade
aumento de turnover
piora na execução da estratégia
Ou seja: o tema está diretamente ligado ao resultado.
“Não tem como falar de produtividade sem falar de educação e escuta”, afirma.
O que muda, na prática, para o CEO
A nova NR-1 coloca quatro mudanças claras na agenda dos líderes em 2026:
- Mais proximidade com as pessoas: gestão baseada apenas em números não será suficiente.
- RH mais estratégico, e mais analítico: dados sobre comportamento e bem-estar ganham peso.
- Liderança mais preparada: gestores passam a ter papel direto na saúde mental das equipes.
- Cultura como ativo de negócio: ambiente de trabalho deixa de ser discurso e vira vantagem competitiva.
Para Alexandre Ribas, a NR-1 pode representar uma das mudanças mais relevantes na gestão das empresas brasileiras nos últimos anos.
Não porque obriga novas políticas, mas porque expõe uma fragilidade antiga.
Empresas que conseguirem transformar essa exigência em vantagem tendem a sair na frente. As outras, provavelmente, terão mais dificuldade em sustentar performance no longo prazo.
“Se você buscar o máximo de performance e eficiência, estará mais preparado para qualquer cenário”, afirma Ribas.





