China inicia testes de operação automatizada para a dispensação de medicamentos.
Imagine o seguinte cenário. O consumidor chega a uma farmácia e, ao se encaminhar até o balcão, se depara não com um atendente, mas com um robô que deixa sua base de carregamento para iniciar o atendimento. A cena, que remete à ficção científica, é ‘apenas’ o próximo passo do varejo farmacêutico chinês.
A reportagem do portal sul-coreano Seoul Economic Daily visitou uma das 200 “farmácias dos robôs” operadas pela Galbot no gigante asiático. Atualmente, a tecnologia é utilizada na separação e entrega de produtos vendidos via delivery, mas espera-se uma expansão dessa funcionalidade em breve.
“Planejamos levar nossa rede de farmácias inteligentes para mais de 1.000 unidades até o fim deste ano”, assegura Yuli Zhao, diretor de estratégia da companhia.
Farmácia dos robôs como resposta à demanda no país
O projeto revela-se especialmente relevante para pequenas comunidades chinesas, diante de uma lacuna no mercado farmacêutico local. Estudos indicam que os pedidos noturnos – realizados entre 22h e 8h – representam 20% das compras de medicamentos no país, mas menos de 10% das farmácias operam 24 horas por dia.
A automação, no entanto, não é completa. Devido a restrições legais, a revisão das receitas e o aconselhamento sobre os medicamentos ainda ficam sob a responsabilidade de um farmacêutico. “Assim que o dispensador conclui a prescrição, o robô localiza os itens, realiza a separação por doses e cuida da embalagem e do envio, reduzindo significativamente a carga de trabalho operacional desses profissionais”, explica.
Solução ainda apresenta gargalos
Apesar do avanço, a adoção em larga escala pode estar mais distante do que indicam os executivos da Galdot. Segundo Jung Da-eun, correspondente do Seoul Economic Daily em Pequim, parte do processo de seleção, embalagem e envio não foi feita publicamente, levantando dúvidas sobre a real eficácia da tecnologia.
De acordo com Zhao, a taxa de precisão do robô é de 99,95%, mas esse desempenho não foi observado em todas as interações. “Em uma loja de conveniências automatizada na mesma região onde está situada a farmácia, o robô aparentou movimentos desajeitados em diversas ocasiões e não conseguiu coletar o pedido de um repórter”, relata Da-eun. “A China parece adotar uma estratégia de flexibilização regulatória na dispensação de medicamentos sem aguardar o pleno amadurecimento da tecnologia robótica”, analisa.

Robotização já está presente no Brasil, mas formato é diferente
Segundo Giuseppe Picolli, especialista em automação do Panorama Farmacêutico, a robotização já é uma realidade no Brasil, ainda que pouco explorada. “Por aqui, temos cerca de 25 robôs em funcionamento. A título de comparação, são mais de 200 na Argentina”, afirma.
A principal diferença entre a tecnologia aplicada no país e aquela presente nas drogarias da Galbot é o equipamento. Enquanto lá humanoides já fazem parte da operação, o executivo afirma que ainda estamos um estágio mais inicial, mas não menos vantajoso. Segundo ele, os principais benefícios são:
• Armazenamento dos medicamentos em ambiente controlado e seguro
• Identificação precisa de cada medicamento e controle de rastreabilidade
• Automatização total de processos
• Otimização espacial
• Inventário em tempo real
• Simplificação operacional
• Realocação estratégica de equipe
• Eliminação de rupturas
• Gestão proativa de validades
“A automação robótica não é apenas uma questão de eficiência operacional. As farmácias que adotam essas soluções reduzem custos e criam uma experiência diferenciada para seus clientes”, conclui.





