Novo Nordisk suspende canal de venda direta de Ozempic e Wegovy ao consumidor no Brasil.
Farmacêutica diz que vai “incorporar aprendizados da fase piloto” e desenvolver modelo “mais integrado ao varejo farmacêutico”. Abrafarma havia criticado a iniciativa por violar a RDC 44/09.
Fonte: InfoMoney · Foto: Reprodução
A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, Wegovy e Rybelsus, suspendeu temporariamente a estratégia de venda direta ao consumidor que havia lançado no Brasil. Em comunicado à imprensa, a farmacêutica dinamarquesa afirmou que a suspensão tem como objetivo incorporar os aprendizados obtidos durante a fase piloto e desenvolver um modelo “mais integrado ao setor de varejo farmacêutico — um parceiro estratégico da companhia”. A empresa não divulgou prazo para eventual retomada do projeto.
📋 O que estava em jogo
• A Novo Nordisk havia iniciado um canal D2C (venda direta ao consumidor) para Ozempic, Wegovy e Rybelsus no Brasil
• A empresa também lançou uma loja oficial no Mercado Livre do México, movimento que acendeu alerta entre investidores sobre as margens do varejo farmacêutico
• A iniciativa usou uma distribuidora não habilitada como farmácia aberta ao público — o que motivou a crítica da Abrafarma com base na RDC 44/09
A reação do setor
⚠ Abrafarma: iniciativa “fere a legislação vigente”
A Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) manifestou “profunda apreensão” com a estratégia e afirmou que ela viola a RDC 44/09, fragiliza o modelo brasileiro de dispensação de medicamentos e compromete uma etapa essencial da assistência à saúde.
“O que está em debate não é apenas um novo modelo comercial, mas a preservação de um sistema que coloca a assistência em saúde acima dos interesses de curto prazo. A transformação digital é bem-vinda e somos parte dela, mas esse movimento não pode acontecer às custas da segurança do paciente.”
— Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma
“Estamos diante de episódios de demonstração de miopia e uma visão de curto prazo. É quando a saúde vira negócio, o ‘topa tudo por dinheiro’ na contramão de todos os requisitos que garantem o uso racional e correto do medicamento.”
— Sergio Mena Barreto
A Novo Nordisk, por sua vez, afirmou que segue comprometida com iniciativas que “ampliem o acesso a tratamentos para doenças crônicas graves, como obesidade e diabetes, em plena conformidade com as regulamentações locais aplicáveis”.
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