Diranersen desacelera Alzheimer em até 50% em estudo de Fase 2 — Biogen confirma avanço para Fase 3.
Apresentado no AAIC 2026, o estudo CELIA mostrou que o medicamento experimental age diretamente na proteína Tau, reduzindo o declínio cognitivo e preservando a autonomia dos pacientes. Sem risco de ARIA — diferencial frente às terapias anti-amiloide.
Fonte: Dikajob · Foto: Reprodução
A Biogen anunciou resultados inéditos do estudo de Fase 2 CELIA com o Diranersen, medicamento experimental que age contra a proteína Tau — associada diretamente à morte de neurônios e à perda de memória no Alzheimer. Diante da eficácia e do perfil de segurança observados, a farmacêutica confirmou o avanço para a Fase 3, última etapa antes da submissão às agências regulatórias. Os dados foram apresentados no Congresso Internacional da Associação de Alzheimer (AAIC 2026).
📊 Resultados do estudo CELIA — dose 60 mg a cada 6 meses / 18 meses de acompanhamento
• Redução do declínio cognitivo de até 50% no MMSE (Mini-Exame do Estado Mental)
• Redução de 42% no declínio pelo ADAS-Cog13 (memória, atenção e linguagem)
• Redução de 26% na perda de funções diárias (escala CDR-SB) — tomada de decisões, finanças, tarefas domésticas
• Redução de 50% a 65% nos níveis de proteína Tau no líquido cefalorraquidiano, confirmada por PET scan cerebral
• Participantes: 416 voluntários, idade média de 68 anos, em estágio inicial (comprometimento cognitivo leve ou demência leve)
• Mais de 90% dos participantes que concluíram o estudo decidiram continuar o tratamento
Como o Diranersen funciona
Ao contrário das terapias recentes que focam na proteína beta-amiloide, o Diranersen pertence à classe dos oligonucleotídeos antisense (ASO) — tecnologia genética avançada que impede o organismo de produzir a proteína Tau nociva, agindo na raiz do problema. O medicamento é administrado por via intratecal (aplicação lombar rápida), levando o tratamento diretamente ao líquido que envolve o sistema nervoso. Um diferencial relevante: não apresentou risco de ARIA (edema ou micro-hemorragia cerebral), efeito colateral comum nas terapias anti-amiloide.
“Os dados do estudo CELIA fornecem uma das evidências mais claras de que reduzir o acúmulo da proteína Tau no cérebro pode se traduzir em um benefício real e visível no dia a dia dos pacientes. Os benefícios cognitivos observados estão entre os mais promissores relatados até hoje na pesquisa de novos medicamentos para o Alzheimer.”
— Dra. Cath Mummery, professora de Neurologia Clínica, University College London
📌 Próximos passos
• A Biogen confirmou o avanço para a Fase 3 — último estágio global antes da submissão regulatória
• O Diranersen ainda é um medicamento experimental e não está aprovado para uso comercial
• Se os resultados forem confirmados, poderá representar a primeira terapia eficaz contra a proteína Tau aprovada para o Alzheimer
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