Anvisa aprova novo medicamento oral para prevenção da enxaqueca
Atogepanto, princípio ativo do Aquipta, age sobre uma via específica ligada à dor da enxaqueca; preço e chegada às farmácias ainda dependem de etapas regulatórias
Fonte: Conselho Federal de Farmácia (CFF) · 08/09/2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registro ao Aquipta (atogepanto), medicamento oral indicado para a prevenção da enxaqueca em adultos que enfrentam pelo menos quatro episódios da doença por mês. A aprovação foi anunciada nesta terça-feira (8).
O atogepanto faz parte da classe dos gepants, fármacos desenvolvidos para bloquear o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), molécula envolvida na transmissão da dor durante as crises. Diferentemente de vários tratamentos preventivos tradicionais — originalmente criados para outras finalidades terapêuticas — este medicamento foi concebido especificamente para atuar sobre essa via da enxaqueca.
Como age o medicamento
Durante a crise, a ativação do sistema trigeminovascular favorece a liberação de substâncias associadas à dor, entre elas o CGRP. Ao bloquear o receptor dessa molécula, o atogepanto reduz a sinalização dolorosa. O produto integra o mesmo grupo dos antagonistas do receptor de CGRP, classe que já reúne outras opções terapêuticas para a enxaqueca.
O que os estudos de fase 3 mostraram
- No estudo ADVANCE, pacientes com 4 a 14 dias de enxaqueca por mês tiveram, com a dose de 60 mg, redução média de 4,2 dias mensais após 12 semanas — contra 2,5 dias no grupo placebo.
- 60,8% dos participantes tratados com 60 mg apresentaram queda de ao menos 50% nos dias de enxaqueca, ante 29% no placebo.
- Constipação e náusea figuraram entre os efeitos adversos mais relatados.
Os resultados apontam benefício em comparação ao placebo, mas o desenho do estudo não permite concluir se o atogepanto é superior a outros tratamentos preventivos já disponíveis, já que não houve comparação direta entre terapias.
Preço e disponibilidade ainda em definição
O registro sanitário autoriza a comercialização, mas não garante presença imediata nas prateleiras das farmácias. Antes da chegada ao mercado, o produto precisa passar pela definição de preço junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por fixar os preços máximos praticados no país. Até o momento, fabricante e órgãos reguladores não informaram prazo de lançamento nem valor de venda.
A aprovação da Anvisa não significa incorporação automática ao SUS. Para integrar a rede pública, o medicamento ainda precisará passar por avaliação específica de incorporação de tecnologias em saúde.
Com o novo registro, o país amplia o leque de opções preventivas para quem convive com crises frequentes de enxaqueca. A escolha da terapia mais adequada, no entanto, segue sendo individualizada — considerando frequência e intensidade das crises, comorbidades, tratamentos anteriores e perfil de efeitos adversos de cada paciente.
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Matéria baseada em reportagem do Conselho Federal de Farmácia (CFF), publicada em 08/09/2026. Leia a íntegra em site.cff.org.br.





