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Canetas emagrecedoras em cães e gatos: o que a farmácia precisa saber

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Manipulação Veterinária GLP-1 em pets: cautela

Canetas emagrecedoras em cães e gatos: o que a farmácia precisa saber

Os análogos de GLP-1 já são estudados para tratar obesidade e diabetes em pets, mas ainda não têm doses padronizadas nem indicação veterinária aprovada. Entenda o cenário e conheça o último curso do ano do Laboratório Escola sobre manipulação veterinária.

Poucos medicamentos ganharam tanta visibilidade nos últimos anos quanto os agonistas de GLP-1, as chamadas “canetas emagrecedoras”. Consolidados na medicina humana no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, eles agora começam a aparecer também na conversa entre tutores, médicos-veterinários e farmacêuticos. A pergunta que se impõe é direta: esses fármacos já fazem parte da rotina veterinária?

Um artigo publicado em setembro de 2026 pela Revista Cães&Gatos, assinado por Thais Ximenes, Monique Paludetti e Erika Pereira, revisou a literatura científica sobre o tema. A conclusão é que as pesquisas avançam e mostram potencial, mas o uso na clínica ainda exige muita cautela.

Como o GLP-1 age no organismo

O GLP-1 é um hormônio produzido no intestino que integra o chamado efeito incretina: quando a glicose chega pela via oral, o organismo libera mais insulina do que liberaria diante da mesma quantidade de glicose administrada na veia. Além de estimular a insulina e reduzir o glucagon, o GLP-1 deixa o esvaziamento do estômago mais lento e aumenta a sensação de saciedade. É justamente esse conjunto de efeitos que desperta o interesse da medicina veterinária.

Nos gatos, a ligação entre obesidade e diabetes

O diabetes felino se parece com o diabetes tipo 2 humano. A obesidade crônica é um dos principais gatilhos: provoca resistência à insulina e, com o tempo, desgasta as células do pâncreas responsáveis por produzi-la. E o sobrepeso felino é comum:

20% a 40%de gatos obesos em estudos nos Estados Unidos e na Inglaterra
36%de obesidade na população avaliada em um estudo brasileiro

Nos felinos já diabéticos, os análogos de GLP-1 podem ajudar a reduzir a dose de insulina necessária e contribuir para preservar as células pancreáticas. Somados à perda de peso, esses efeitos aumentam as chances de remissão do diabetes, o que torna a espécie a mais promissora para esse tipo de terapia.

Há, porém, efeitos adversos descritos: falta de apetite, vômitos e emagrecimento não planejado. Em um animal doente, isso pode agravar o quadro ou desencadear novas urgências, como a lipidose hepática felina, associada à perda de peso rápida e acentuada.

Nos cães, um cenário diferente

O diabetes canino costuma se assemelhar ao tipo 1 humano, com deficiência de insulina, e por isso depende de insulinoterapia. Estudos com liraglutida mostraram melhor controle glicêmico em cães diabéticos quando o fármaco foi associado à insulina. Em cães idosos obesos, o tratamento reduziu o apetite, o escore de condição corporal, o colesterol e os triglicérides, mas a queda de peso não chegou a ser estatisticamente significativa.

Doses sem padrão e alerta dos conselhos

Na medicina veterinária, ainda não existem doses nem intervalos padronizados para os agonistas de GLP-1. Os protocolos variam conforme o princípio ativo (exenatida, liraglutida) e, para um mesmo fármaco, vão de aplicações diárias a mensais. Nos cães, os estudos são ainda mais escassos.

Em março de 2026, o CRMV-SP e o CRF-SP publicaram uma nota técnica conjunta sobre o tema. Segundo os conselhos, o uso desses medicamentos em animais continua fora da prática habitual, não há indicações formais aprovadas para uso veterinário e os estudos de segurança ainda estão restritos ao ambiente de pesquisa.

O recado para a farmácia de manipulação

A discussão sobre as canetas emagrecedoras em pets ilustra um movimento maior: a medicina veterinária está cada vez mais sofisticada, e as prescrições que chegam às farmácias de manipulação acompanham essa evolução. Diante de temas em que a ciência ainda está em construção, o farmacêutico precisa de embasamento técnico, atenção às normas e às orientações dos conselhos profissionais, e diálogo constante com o médico-veterinário prescritor.

Ao mesmo tempo, a adesão ao tratamento em cães e gatos depende muito da forma farmacêutica. Um medicamento que o animal recusa não trata. Por isso, dominar preparações palatáveis e de fácil administração, como pastas veterinárias e filmes orodispersíveis, é um diferencial concreto para quem atua ou quer atuar nesse mercado.

Importante: a manipulação de qualquer medicamento para uso animal deve seguir prescrição de médico-veterinário e a legislação sanitária vigente. Dúvidas regulatórias podem ser encaminhadas ao Departamento de Assuntos Regulatórios pelo e-mail regulatorios@sincofarma.org.br.

Última turma de 2026

Manipulação Veterinária: Farmacotécnica de Pastas Veterinárias e Filmes Orodispersíveis

O Sincofarma encerra a agenda de cursos do ano com uma capacitação prática, realizada no Laboratório Escola Sincofarma, espaço pioneiro no Brasil, equipado para reproduzir a rotina real de uma farmácia de manipulação. Os participantes conhecem insumos e fornecedores, aprendem técnicas seguras de preparo e produzem e avaliam as próprias formulações.

Data14 de novembro de 2026, sábado
Horário8h30 às 14h
FormatoPresencial, com parte prática
LocalRua Santa Isabel, 160, 6º andar, Vila Buarque, São Paulo (Metrô República)

Conteúdo programático

  • Manipulação veterinária: mercado, desafios e peculiaridades
  • Pastas veterinárias: características, aplicações e técnicas de preparo
  • Filmes orodispersíveis com base Polifil
  • Controle de qualidade das preparações magistrais
  • Discussão de resultados e boas práticas de manipulação

Professor

Marco Aurélio Lamolha, farmacêutico industrial pela UFMG, mestre em Fármacos e Medicamentos pela USP e doutor pela Universidade São Judas Tadeu. É diretor técnico e sócio da Qualifarma Farmácia de Manipulação há 28 anos e leciona Farmacotécnica, Tecnologia Farmacêutica, Cosmetologia e Controle de Qualidade há 25 anos, atualmente no Centro Universitário FAM e no Centro Universitário FMABC.

Para quem é: estudantes de Farmácia, farmacêuticos, manipuladores e demais interessados em atuar na manipulação veterinária.

Investimento

CategoriaValor
Associado SincofarmaR$ 75,00
Meia estudante, doador de sangue ou PcDR$ 125,00
Não associadoR$ 250,00

Pagamento via PIX à vista ou cartão de crédito em até 3x sem juros. Incluso: apostila, materiais da parte prática, café de boas-vindas, brunch e certificado. Por questões de biossegurança, o uso de EPIs é obrigatório no laboratório e o curso é restrito a maiores de 18 anos.

Ficou com alguma dúvida sobre o curso?
Fale com a equipe de Cursos pelo e-mail cursos@sincofarma.org.br ou pelo WhatsApp (11) 94387-2305. Associados têm desconto de 70% em todas as capacitações. Associe sua empresa.

Com informações do artigo “Canetas emagrecedoras: realidade na rotina veterinária?”, de Thais Ximenes, Monique Paludetti e Erika Pereira, publicado pela Revista Cães&Gatos (edição 325), e da nota técnica conjunta CRMV-SP/CRF-SP sobre o uso de agonistas de GLP-1 na medicina veterinária (2026).