Vendas crescem no comércio após proibição das bets, aponta relatório
Relatório do BTG Pactual sobre o Assaí indica sinais iniciais de melhora no consumo, mas especialistas dizem que ainda é cedo para atribuir a alta à proibição
Fonte: Tribuna Online · 20/10/2026
O comércio pode estar sentindo os efeitos da proibição das apostas on-line. A hipótese é que famílias, sobretudo as de menor renda, estejam redirecionando para o consumo básico o dinheiro que antes ia para as bets. A avaliação aparece em relatório do BTG Pactual sobre a rede Assaí Atacadista e foi reunida em reportagem da Tribuna Online.
Os dados são indicativos, e não uma comprovação. Os próprios especialistas ouvidos dizem que ainda não é possível afirmar que o aumento de vendas decorre da proibição.
O que diz o relatório do BTG
Após reunião com executivos do Assaí, o banco afirmou que a administração identificou sinais iniciais de melhora no consumo em cidades do interior e em bairros de menor renda, possivelmente ligados às restrições mais rígidas às apostas.
A proibição
No fim de setembro, o presidente Lula assinou uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas e jogos on-line. Com a publicação, as plataformas ficam impedidas de receber novas apostas. O governo prevê reforço da fiscalização contra sites ilegais, bloqueio de contas usadas de forma irregular e integração de informações entre órgãos públicos.
Cerca de R$ 1,3 bilhão que ficou em contas de apostadores deve voltar à circulação. Os saldos não restituídos foram direcionados à Caixa, que devolverá os valores em casos de dificuldade operacional.
O que dizem os especialistas
- André Spalenza (Connect Fecomércio-ES): afirma que a maioria dos apostadores capixabas tem renda de até dois salários mínimos e que, sem a aposta, a renda tende a ir para comércio, serviços, supermercados e farmácias. Ressalva que os levantamentos ainda não estão consolidados;
- Ricardo Paixão (Corecon-ES): diz que as bets podem influenciar as compras do mês, mas que a recuperação do consumo depende também da renda disponível, do endividamento, da inflação e do mercado de trabalho.
O que pensam os pequenos negócios
Pesquisa do Sebrae com donos de micro e pequenas empresas mostra apoio à proibição, mas expectativa moderada de impacto nas vendas:
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| A favor da proibição | 66% (57% totalmente e 8,8% parcialmente) |
| Contra a proibição | 23,5% (17% totalmente e 6% parcialmente) |
| Relataram queda de faturamento ligada às apostas nos últimos 12 meses | 26% |
| Não identificaram efeitos diretos | 51% |
| Perceberam ao menos uma mudança no comportamento do consumidor | 48% |
| Esperam aumento de faturamento com o fim das bets | 38% |
| Acreditam que as vendas continuarão iguais | 42% |
Entre os que notaram mudanças no consumidor, a perda de poder de compra foi apontada como o principal problema.
O peso das apostas na economia
Segundo o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros (3ª edição), as apostas provocaram saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025. Entre outubro de 2024 e março de 2026, a perda média foi estimada em R$ 4,7 bilhões por mês. Já o Made-USP calculou que as apostas retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica em 2025, o equivalente a 0,9% a 1,1% do PIB.
Entre os setores que podem se beneficiar do dinheiro de volta ao consumo, a reportagem cita supermercados, farmácias, comércio de roupas e calçados, restaurantes, pequenos estabelecimentos e prestadores de serviços.
O que ainda não se sabe
A reportagem não detalha a metodologia, o tamanho da amostra e o período da pesquisa do Sebrae, nem a metodologia do levantamento do Fecomércio-ES. O relatório do BTG usa linguagem de possibilidade e se baseia em sinais iniciais. Não há dados específicos sobre as vendas de farmácias.
Matéria baseada em reportagem da Tribuna Online, publicada em 20/10/2026.





