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Mercado farmacêutico vira nova aposta dos marketplaces

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Mercado farmacêutico vira nova aposta dos marketplaces
Mercado Farmacêutico

Mercado farmacêutico vira nova aposta dos marketplaces

Para disputar com farmácias, plataformas aproveitam o avanço das vendas de medicamentos online e podem obter vantagem pela capacidade de acesso ao consumidor

Fonte: Estadão · Coluna de Celso Ming · 22/10/2026

O Mercado Livre e o iFood começaram a incluir farmácias parceiras em seus marketplaces, justamente quando a venda de medicamentos pela internet conquistou espaço. Hoje, essas vendas ocupam cerca de 15% do varejo farmacêutico brasileiro, o dobro de dois anos atrás. Só no primeiro semestre deste ano, o setor movimentou R$ 130,2 bilhões, 10,1% a mais do que no mesmo período de 2025.

A principal vantagem das plataformas está no alcance: em agosto, o Mercado Livre recebeu 209 milhões de visitas no Brasil.

A diferença de audiência

Os dados são da Semrush, empresa de análise de tráfego digital, divulgados pelo Banco Safra:

SiteVisitas em agosto
Mercado Livre209 milhões
RD Saúde (Droga Raia e Drogasil)14,8 milhões
Pague Menos4,8 milhões
Panvel1,5 milhão

O que muda para as farmácias

Para as farmácias, a mudança não é só a chegada de novos concorrentes. Quando vendem por aplicativo próprio, elas definem a oferta e o preço e mantêm a relação com o consumidor. Quando outras plataformas entram no mercado, os produtos permitem comparação direta de preços e colocam as redes em disputa por posição e visibilidade.

Essa competição pode pesar num mercado em que o preço dos medicamentos varia de um estabelecimento para outro, e em que há descontos usados para atrair os consumidores aos canais digitais. A escala das plataformas também pode mudar a logística de entrega: o consumidor pode comprar os remédios junto com produtos de outras origens, com pagamento e frete integrados.

Após o anúncio da operação, as ações da Pague Menos, da RD Saúde e da Panvel caíram 8%, 5,4% e 4,9%, respectivamente.

A reação da Abrafarma e da Anvisa

A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) levou o caso à Anvisa, que abriu neste ano um processo para regulamentar a contratação de plataformas digitais por farmácias. Em setembro, a agência notificou o Mercado Livre sobre a venda de medicamentos sujeitos a prescrição e pediu informações sobre licenças, farmacêutico responsável, conferência de receitas, armazenamento e condições de transporte.

Os números do mercado digital

  • O Itaú BBA estima que os medicamentos possam acrescentar 5,3% ao volume bruto de mercadorias (GMV) do Mercado Livre no Brasil até 2030;
  • O tíquete médio das compras digitais de medicamentos chegou a R$ 82,37 no primeiro semestre, 17,6% acima do registrado em lojas físicas;
  • As canetas emagrecedoras (GLP-1) movimentaram R$ 3,8 bilhões entre junho e agosto e respondem por 11% da receita das grandes redes, segundo a consultoria Close-Up International.

Novo canal, nova dependência

A operação interessa às plataformas porque coloca uma nova categoria de consumo em sua base de clientes. Para as farmácias, a mudança pode significar outro canal de vendas, mas também maior dependência de uma plataforma que concentra a capacidade de acesso e as informações sobre o consumidor.

O que o texto não esclarece

A coluna não diz a qual anúncio se refere quando fala em queda das ações, nem a data dessa queda. Também não detalha o que a Anvisa já decidiu sobre a regulamentação, e os dados de visitas, de participação das vendas online e do GLP-1 vêm de terceiros (Semrush, Banco Safra e Close-Up). Trata-se de uma coluna de análise, com a leitura do autor sobre o mercado.

Dúvidas sobre venda online, plataformas digitais e exigências da Anvisa? Fale com o Departamento de Assuntos Regulatórios do Sincofarma/SP

regulatorios1@sincofarma.org.br

Matéria baseada em coluna de Celso Ming publicada no Estadão. Conteúdo informativo, que não substitui orientação jurídica ou regulatória individualizada.