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Indústria acelera pesquisas em medicamentos para menopausa

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Mercado global, avaliado em US$ 18,85 bilhões anuais, deve atingir US$ 30,5 bilhões em 2032, segundo pesquisa.

 

O mercado global para menopausa, avaliado em US$ 18,85 bilhões anuais, deve atingir US$ 30,5 bilhões em 2032, de acordo com levantamento do Data Bridge Market Research. Esse crescimento médio anual de 6,2% para os próximos sete anos considera várias classes de remédios, como antidepressivos e terapia hormonal, voltados ao tratamento de sintomas vasomotores. São eles os causadores dos chamados fogachos, que causam ondas de calor, sudorese noturna e tremores. O potencial desse mercado tem atraído grandes farmas.

 

A Bayer está em fase final de estudos clínicos de um medicamento que não usa hormônios, uma das apostas de crescimento nesse segmento. O Elinzanetant, da categoria antagonista do receptor de neurocinina, atua no sistema vasomotor e bloqueia ondas de calor.

 

A farmacêutica alemã investiu US$ 425 milhões na compra da KaNDy Therapeutics, startup de biotecnologia que desenvolvia as pesquisas do Elinzanetant. O negócio, anunciado em agosto de 2020, foi a maior expansão de portfólio da Bayer em saúde feminina. “Os testes clínicos estão sendo feitos em centenas de centros de pesquisa, em 30 países, com 2400 pacientes”, diz ao Valor o presidente da divisão farmacêutica da Bayer no Brasil, Adib Jacob.

 

Jacob explica que a reposição hormonal é contraindicada para pacientes com histórico de câncer de mama, por exemplo. Há outra intersecção entre os portfólios oncológico e de saúde feminina: cerca de 70% das pacientes com câncer de mama têm tumores do tipo receptores de estrogênio positivo. Ao usar medicamentos que bloqueiam o estrogênio, as pacientes entram em menopausa e manifestam os sintomas.

 

 

A Bayer apresentou o registro do Elinzanetant à agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) em agosto do ano passado. Nos Estados Unidos, cerca de 27 milhões de mulheres estão na menopausa atualmente, segundo estimativas da Bayer. Um estudo clínico também investiga o impacto do Elinzanetant em distúrbios de sono associados à menopausa.

 

Além do desenvolvimento de medicamentos inovadores, que devem ampliar a base de pacientes, o envelhecimento da população explica esse crescimento. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 30 milhões de mulheres no país estão na faixa etária do climatério, que inclui a última menstruação e o surgimento dos sintomas da menopausa. Em nível global, 1 bilhão das 8 bilhões de pessoas do mundo estarão nesta fase em 2030, segundo a Sociedade Norte-Americana para Menopausa (NAMS, na sigla em inglês).

 

“As mulheres, no passado, poderiam estar exclusivamente em casa e dizer que os sintomas fazem parte da vida, mas hoje elas estão ativas no mercado de trabalho. Além disso, com a medicina tão avançada, em pleno 2025, não faz sentido sofrer com essa perda na qualidade de vida”, afirma o ginecologista e diretor de assuntos médicos da Bayer na América Latina, Eli Lakryc.

 

Embora os medicamentos inovadores para sistema nervoso central sejam a aposta para o futuro desse mercado, as terapias de reposição hormonal ainda são o carro-chefe da indústria. A própria Bayer obteve recentemente uma indicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de seu dispositivo intrauterino Mirena como terapia hormonal recomendada para a menopausa.

 

Já a farmacêutica francesa Besins, especializada em tratamentos hormonais, registrou crescimento de 75% em seu portfólio direcionado à menopausa no Brasil. O Oestrogel é líder de mercado no tratamento de sintomas relacionados à menopausa. De acordo com a companhia, o chamado gel transdérmico, aplicado sob a pele, não tem absorção metabólica no fígado e reduz a incidência de efeitos colaterais.

 

O segmento de saúde feminina, que inclui a reposição hormonal, representa 44% do faturamento da Besins no país. A divisão de negócios de fertilidade e obstetrícia tem uma participação de 41%, enquanto os 14% restantes são compostos pelo portfólio de saúde do homem e andropausa.

A companhia não revela o faturamento consolidado no Brasil, mas aponta que a média de crescimento nos últimos anos é de 25%. A gerente-geral da Besins Healthcare no Brasil, Laurena Magnoni, afirma que o país é o terceiro maior mercado global da companhia, atrás de Inglaterra e Alemanha. Até a abertura do escritório no país e a inauguração da fábrica em Jundiaí (SP), em 2018, o portfólio era comercializado por meio de importadores e distribuidores.

 

De acordo com a executiva, o mercado brasileiro atualmente tem uma maior participação da saúde privada, ao contrário dos líderes europeus. “Estamos trabalhando para ampliar a participação da saúde pública no Brasil, no que chamamos de mercado de acesso”, afirma.

 

Farmacêutica e bioquímica de formação, Laurena Magnoni está à frente da Besins desde a chegada da companhia ao Brasil, em 2010. A gerente-geral atuou em outras multinacionais do setor, como Novo Nordisk e Pfizer, com estreia como representante de vendas e depois chegando à direção de áreas corporativas.

 

Além das terapias hormonais, a companhia trabalha com suplementos polivitamínicos direcionados para mulheres acima dos 40 anos de idade. “Eu faço reposição hormonal, mas não é só isso. É atividade física, cuidar da alimentação, suplementar o que for necessário. Sou uma mulher de 62 anos que tem qualidade de vida e continua na liderança da empresa”, diz Magnoni.

 

Fonte: Valor
Foto: Reprodução