Cabelo branco pode ser mecanismo de proteção contra o melanoma, sugere estudo em ratos.
Pesquisa da Universidade de Tóquio, publicada na Nature, levanta hipótese sobre relação entre embranquecimento capilar e defesa contra o câncer de pele.
Fonte: Veja · Foto: Reprodução
Os fios brancos que surgem em nossas cabeças com o passar da idade podem ser, em alguns casos, uma consequência externa das defesas aplicadas pelo corpo quando está enfrentando um melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. É o que sugere um estudo inicial, feito com ratos, publicado na revista Nature por pesquisadores da Universidade de Tóquio.
“O estudo, que ainda é pré-clínico, levanta a possibilidade de que o embranquecimento do cabelo seja consequência de um mecanismo de proteção celular.”
— Rodrigo Guedes, oncologista clínico e diretor da SBOC
O que o estudo viu
No melanoma, o câncer surge a partir da proliferação descontrolada de melanócitos — células responsáveis pela produção de pigmento na pele, fios do cabelo e olhos. A pesquisa analisou folículos capilares e descobriu que as células-tronco presentes ali, quando sofrem alterações no DNA, podem seguir dois caminhos opostos: parar de funcionar e morrer ou continuar se multiplicando.
🔬 A hipótese dos pesquisadores
O organismo pode “sacrificar” as células de pigmentação quando ficam desreguladas. Como são elas que dão cor aos fios, sua eliminação torna as madeixas prateadas — um processo que, em teoria, impediria que essas células evoluíssem para câncer.
“Isso reformula a percepção do embranquecimento capilar e do melanoma, não como eventos não relacionados, mas como resultados divergentes das respostas das células-tronco ao estresse celular.”
— Emi Nishimura, professora líder da pesquisa
Cabelo branco protege contra o câncer ou indica risco?
⚠ Não há correlação direta comprovada
“Não se pode concluir que toda pessoa com cabelo branco está protegida e, portanto, não terá melanoma, nem que os fios sejam um sinal de, necessariamente, aparecimento do câncer.”
— Flávio Brandão, oncologista da Oncoclínicas
Os próprios pesquisadores de Tóquio reforçam que o estudo não sugere que o embranquecimento do cabelo previna o câncer, mas sim que as células-tronco de melanócitos podem passar por um processo chamado “senodiferenciação” — um mix entre envelhecimento e transformação celular.
✅ O que realmente previne o melanoma
Para reduzir o risco de melanoma, o que importa continua sendo proteção solar, acompanhamento dermatológico regular e atenção a lesões suspeitas na pele.
O presidente da SBOC reforça a cautela: “O estudo foi publicado numa revista super respeitada e ajuda a entender melhor a biologia das células que dão pigmento aos cabelos, mas foi feito em modelos experimentais, em animais, e em laboratório, então é preciso ter cautela ao extrapolar os dados para os seres humanos.”
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