Brasil ultrapassa 138 mil autorizações da Anvisa para cannabis medicinal
Em julho, foram 21.762 autorizações para importação de produtos à base de cannabis, o segundo maior volume da série histórica
Fonte: Medicina S/A · 15/10/2026
O Brasil ultrapassou 138 mil autorizações da Anvisa para importação de produtos à base de cannabis medicinal nos sete primeiros meses de 2026. O dado é de um levantamento da Cannect, feito com base em informações obtidas pela Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgado pelo Medicina S/A.
Os números de 2026
Autorizações emitidas pela Anvisa
- Julho de 2026: 21.762 autorizações, alta de 19,4% sobre junho e de 33,4% sobre julho de 2025.
- Recorde: julho é o segundo maior volume da série histórica, atrás de março de 2026, com 23.199.
- Acumulado de janeiro a julho: mais de 138 mil autorizações, média de 19,7 mil por mês e alta de 29,5% sobre o mesmo período de 2025.
O levantamento informa o número de autorizações, e não o de pacientes ou de pedidos.
Como funciona a importação
A legislação atual permite a comercialização de apenas alguns derivados de cannabis no país. A Anvisa autoriza pacientes a importar medicamentos ou outros itens à base da planta, desde que prescritos por médico ou dentista e com autorização prévia da agência. Entre as condições citadas na reportagem estão dor, ansiedade, insônia, autismo, Parkinson e epilepsia, nas quais há mais recomendação e evidências científicas sobre o uso.
Para Allan Paiotti, CEO da Cannect, os números confirmam que a cannabis medicinal deixou de ser nicho no Brasil. Ele projeta 2026 como o ano da virada e 2027 como o ano de consolidação.
Novas diretrizes ainda em regulamentação
Diretrizes recentes da Anvisa, ainda em fase de regulamentação, estabelecem regras para importar matérias-primas, como a planta, extratos e o canabidiol (CBD), para pesquisa, desenvolvimento e fabricação nacional. Elas incluem cotas de importação e regras de distribuição local. Segundo Paiotti, o setor caminha para um modelo híbrido, com produção nacional de formulações mais simples no médio prazo e importação para a diversidade terapêutica, e as cotas seriam um passo para profissionalizar a cadeia produtiva.
Vale observar que a Cannect, que produziu o levantamento, se apresenta como um ecossistema de saúde voltado a pacientes com doenças crônicas, e que a reportagem não traz valores de preços. O uso de produtos à base de cannabis depende de prescrição e de acompanhamento profissional.
Matéria baseada em reportagem do Medicina S/A, publicada em 15/10/2026, com dados de levantamento da Cannect obtidos pela Lei de Acesso à Informação.





