Obesidade infantil: OMS lança primeiro guia e prioriza mudança de hábitos
Orientação recomenda dieta, atividade física e mudança de comportamento; medicamentos só entre 10 e 19 anos, quando o estilo de vida não basta
Fonte: OMS / Agência Brasil / Rádio Senado · 16/10/2026
Em 7 de outubro de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o primeiro guia de enfrentamento à obesidade em crianças e adolescentes. O documento prioriza a mudança de hábitos, com programas que combinam alimentação saudável, atividade física e mudança de comportamento, e coloca os medicamentos como último recurso, apenas para adolescentes.
Os números da obesidade infantil
Dados da OMS
- Em 2024, 170 milhões de pessoas de 5 a 19 anos viviam com obesidade: 70 milhões de 5 a 9 anos e 100 milhões de 10 a 19 anos.
- A prevalência nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, de 2% para 8%.
A OMS classifica a obesidade como doença crônica e recorrente, com consequências já na infância, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Crianças com obesidade também podem sofrer estigma, discriminação e bullying.
O que o guia recomenda
A orientação é por intervenções estruturadas, individuais ou em programa multimodal, com dieta, atividade física e mudança de comportamento. A saúde digital é recomendada de forma condicional, com supervisão dos pais ou cuidadores. A OMS também pede que a obesidade e a saúde mental sejam tratadas de forma precoce e conjunta, com envolvimento da família, já que ansiedade, depressão e baixa autoestima podem contribuir para hábitos pouco saudáveis, sedentarismo e isolamento.
Para crianças de até 9 anos, o guia não recomenda medicamentos, cirurgia bariátrica ou dispositivos para perda de peso.
Medicamentos: só entre 10 e 19 anos
Entre 10 e 19 anos, medicamentos aprovados, as chamadas “canetas emagrecedoras”, podem ser considerados apenas se um programa supervisionado de estilo de vida não tiver dado resultado. A cirurgia bariátrica pode ser considerada, sob condições rigorosas, em adolescentes com obesidade grave.
Tratamento não basta
Segundo a OMS, o tratamento sozinho não reverte o aumento da obesidade. A organização defende tornar dietas saudáveis e atividade física mais acessíveis e baratas, com ações em educação, planejamento urbano, transporte e proteção social.
O debate no Senado
De acordo com a Rádio Senado, o PL 4.501/2020, do senador Jaques Wagner (PT-BA), proíbe a venda de alimentos ultraprocessados nas cantinas de escolas públicas e privadas e restringe produtos com excesso de calorias, açúcar, sal e gorduras. O projeto exige que as cantinas ofereçam ao menos uma opção de lanche saudável por dia e proíbe a publicidade desses produtos. O relatório da senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) é favorável, e a proposta, que já passou pela Comissão de Educação, está pronta para votação na Comissão de Assuntos Sociais. Para a relatora, não adianta o PNAE estabelecer alimentação saudável com nutricionistas se as cantinas vendem alimentos não saudáveis.
A reportagem da Agência Brasil não traz dados específicos do Brasil. As informações não substituem a avaliação de um profissional de saúde.
Matéria baseada em reportagens da Agência Brasil (7/10/2026) e da Rádio Senado (8/10/2026) sobre o guia da OMS.





