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ONU alerta para riscos da queda de vacinação em crianças

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2019-07-17 12:30:08

 

No ano passado, 350.000 casos de sarampo foram registrados no mundo – o dobro em relação a 2017.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou, nesta segunda-feira (15), seu relatório anual sobre os índices globais de vacinação. Os dados mostram que, em 2018, quase 20 milhões de crianças não receberam vacinas que evitam doenças fatais.

Os esforços para aumentar a cobertura da vacinação estão estagnados, segundo a ONU. “Isso significa que mais de uma criança a cada dez não recebe a totalidade das vacinas, de que necessita”, explicou a diretora do Departamento de Imunização e Vacinas da OMS, Kate O’Brien, na apresentação do relatório anual sobre vacinação.

Um dos exemplos é a extensão da epidemia de sarampo. No ano passado, 350.000 casos da doença foram registrados no mundo – o dobro em relação a 2017. Pela primeira vez, as estatísticas anuais da ONU levam em conta a vacina contra os papilomavírus humanos (HPV), que protege contra o câncer de colo de útero se administrada antes do início da vida sexual. No último ano, 90 países – desenvolvidos, em sua maioria – integraram o HPV a seus programas nacionais. Segundo a agência, esta vacina está disponível para uma menina em cada três no mundo.

Apesar dos sinais de progresso em relação ao HPV, os dados globais mostram que há uma “perigosa estagnação das taxas de vacinação no mundo, devido a conflitos, às desigualdades e a uma complacência”, diz o relatório. A taxa de cobertura mundial para a vacinação de base contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) e sarampo continua sendo de 86%, desde 2010. Esse índice permanece “elevado”, mas “insuficiente”, de acordo com a ONU.

Dados de 2019 são preocupantes

Os primeiros dados de 2019 são desanimadores. Os casos de sarampo no mundo quadruplicaram no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo a OMS. “As razões dessas epidemias são muito diversas, mas a primeira causa é que crianças vivem em comunidades onde a vacina contra o sarampo é insuficiente”, declarou O’Brien, que chama a atenção sobre a “proliferação de falsas informações” sobre esta vacina.

Nos países ocidentais, os movimentos antivacina se apoiam em um artigo científico publicado em 1998, que associa a vacina contra o sarampo à incidência de autismo. A OMS já rebateu essas críticas diversas vezes e descobriu que o autor da publicação, o britânico Andrew Wakefield, falsficou seus resultados.