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Tratamento para insônia evolui, mas estilo de vida é fator determinante

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Lemborexante (Dayvigo): novo mecanismo para tratar a insônia chega ao Brasil | Sincofarma/SP
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Medicamentos & Neurologia · Junho de 2026
Inovação & Tratamento da Insônia

Lemborexante (Dayvigo): novo mecanismo de ação chega ao Brasil para tratar a insônia sem o risco de dependência dos benzodiazepínicos.

Medicamento aprovado recentemente no Brasil atua nos receptores de orexina, em uma abordagem mais próxima do adormecimento fisiológico natural.

Fonte: Poder360  ·  Foto: Reprodução

O tratamento para a insônia traz alívio a quem vive com dificuldade para dormir, mas os principais medicamentos usados atualmente podem trazer efeitos indesejados a longo prazo, como dependência e sonolência. O lemborexante, que deverá ser comercializado sob o nome Dayvigo, pertence à classe dos antagonistas duplos do receptor de orexina (DORA) — atuando diretamente sobre os receptores OX1 e OX2.

A orexina, também conhecida como hipocretina, é um neuropeptídeo produzido no hipotálamo lateral que exerce papel central na manutenção dos estados de vigília e alerta. Ao reduzir os sinais que mantêm o cérebro em alerta, a substância favorece a transição para o sono, em um movimento mais próximo do fenômeno fisiológico de adormecimento.

Os riscos dos tratamentos tradicionais

⚠ Riscos dos medicamentos atuais

•  Benzodiazepínicos (clonazepam, diazepam, alprazolam, lorazepam): tolerância, dependência, prejuízo cognitivo, sonolência residual e risco de quedas

•  Drogas Z (zolpidem, zopiclona, eszopiclona): dependência, amnésia e comportamentos complexos do sono, como sonambulismo

•  O uso a longo prazo pode levar à perda de efeito, exigindo doses maiores, e a interrupção pode causar abstinência e insônia rebote

Como age o lemborexante

📊 Resultados dos estudos clínicos

•  SUNRISE 1 (JAMA, 2019): mais de 60 minutos adicionais de sono por noite em relação ao placebo e ao zolpidem

•  SUNRISE 2 (Sleep, 2020 — 6 meses): mais de 30% dos participantes atingiram critérios de resposta para início do sono, contra 18% no placebo

•  Manutenção do sono durante a noite: 30% a 35% nos grupos ativos, frente a 20% no placebo

“Ao diminuir o estado de hiperalerta cerebral, que frequentemente sustenta a insônia crônica, o medicamento não ‘desliga’ o cérebro de forma generalizada. Os antagonistas dos receptores de orexina representam uma das mudanças mais interessantes no tratamento farmacológico da insônia nas últimas décadas.”

— Rodrigo Meirelles Massaud, neurologista do Einstein Hospital Israelita

⚠ Efeitos adversos do lemborexante

O medicamento pode causar sonolência diurna, fadiga, sonhos vívidos, paralisia do sono e piora do desempenho quando associado ao álcool ou outros depressores do sistema nervoso central. O tratamento deve ser individualizado e prescrito por médico.

Estilo de vida importa

A insônia é um dos distúrbios do sono mais comuns no mundo: estima-se que atinja cerca de 852 milhões de pessoas, uma prevalência de aproximadamente 16% da população mundial, segundo pesquisa publicada em 2025 na Sleep Medicine Reviews.

“Vivemos em um ambiente biologicamente pouco compatível com a fisiologia natural do sono. Hoje há exposição excessiva à luz artificial, hiperconectividade, jornadas prolongadas de trabalho, ansiedade crônica e estímulos constantes até altas horas.”

— Rodrigo Meirelles Massaud

💤 Tratamento combinado é o ideal

Quando indicado, o medicamento deve ser aliado à terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). Até 30% dos pacientes apresentam regressão dos sintomas apenas com essa terapia, hoje disponível também de forma online.

Mudanças de comportamento que ajudam: evitar celular na cama, reduzir ruídos e luminosidade, manter temperatura adequada, evitar cafeína e tabaco antes de dormir, e praticar atividade física regularmente.