Remédio contra artrite faz cabelo voltar a crescer em pacientes com alopecia grave
Upadacitinibe, já usado contra artrite reumatoide, recuperou o couro cabeludo de metade dos pacientes com a dose mais alta em estudos de fase 3
Fonte: Só Notícia Boa · 09/09/2026
Um medicamento já utilizado no tratamento da artrite reumatoide surpreendeu pesquisadores ao devolver grande parte do cabelo a pacientes com alopecia areata grave. Em dois estudos clínicos de fase 3, publicados na revista científica JAMA Dermatology, metade dos participantes que receberam a dose mais alta do upadacitinibe terminou seis meses de tratamento com pelo menos 80% do couro cabeludo coberto por fios.
A pesquisa foi conduzida por cientistas ligados ao Brigham and Women’s Hospital, nos Estados Unidos, em parceria com instituições de vários países, e reuniu 1.399 adultos e adolescentes com alopecia areata grave — todos haviam perdido pelo menos metade dos cabelos do couro cabeludo.
Resultados dos estudos
Os voluntários foram divididos em três grupos: dois receberam doses diárias de 15 mg ou 30 mg do medicamento, e o terceiro recebeu placebo. As diferenças começaram a aparecer já a partir da oitava semana de tratamento.
O efeito foi ainda mais expressivo em parte dos participantes: entre 13% e 14% dos que receberam a dose de 15 mg tiveram recuperação completa dos cabelos do couro cabeludo, índice que chegou a 22,5% em um dos estudos com a dose de 30 mg. Também foi observada melhora no crescimento de sobrancelhas e cílios entre os pacientes tratados com a dose mais alta.
Como age o medicamento
A alopecia areata é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca os folículos capilares, provocando queda de cabelo que pode evoluir até a perda completa dos fios. O upadacitinibe, comercializado como Rinvoq, pertence à classe dos inibidores de JAK — substâncias que interferem em sinais do sistema imunológico e já são usadas no tratamento de doenças inflamatórias.
Pontos de atenção do estudo
- Efeitos adversos mais comuns: infecções das vias respiratórias superiores, acne, alteração na enzima creatina fosfoquinase e nasofaringite
- Eventos adversos graves: 1,6% (dose 15 mg) e 2,3% (dose 30 mg), contra 0,4% no grupo placebo
- Pesquisa financiada pela AbbVie, fabricante do medicamento, que participou do desenho do estudo — resultado já passou por revisão científica independente
- Aprovado pela Comissão Europeia em 29 de julho para alopecia areata grave em adultos e adolescentes a partir de 12 anos
A aprovação, até o momento, é válida apenas na União Europeia. O upadacitinibe ainda não tem essa indicação registrada pela Anvisa no Brasil — farmácias devem acompanhar futuras atualizações regulatórias sobre o tema.
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26/09/2026
CONHEÇA A AGENDA DE CURSOSMatéria baseada em reportagem de Rinaldo de Oliveira para o Só Notícia Boa, publicada em 09/09/2026, com dados do estudo publicado na JAMA Dermatology. Leia a íntegra em sonoticiaboa.com.br.





