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Prescrição por cirurgiões-dentistas: o que a lei permite, quais são os limites e o papel do farmacêutico

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Assuntos Regulatórios

Prescrição por cirurgiões-dentistas: o que a lei permite, quais são os limites e o papel do farmacêutico

Regulatórios do Sincofarma alerta farmácias e drogarias sobre o enquadramento legal da prescrição odontológica, as responsabilidades éticas do cirurgião-dentista e os cuidados na avaliação da receita no momento da dispensação.

O cirurgião-dentista tem competência legal e técnica reconhecida para prescrever e aplicar medicamentos. Essa prerrogativa, porém, tem contornos bem definidos, e conhecê-los é fundamental tanto para os profissionais da Odontologia quanto para os farmacêuticos que avaliam essas receitas no balcão de farmácias e drogarias.

As classes de medicamentos utilizadas na prática odontológica abrangem um espectro terapêutico bastante amplo. No âmbito de sua atuação, o cirurgião-dentista pode prescrever e aplicar diversas especialidades farmacêuticas voltadas ao tratamento da saúde bucal, desde que respeitados os limites estabelecidos pela legislação.

O que diz a lei

A prerrogativa de prescrição pelo cirurgião-dentista está respaldada na Lei Federal nº 5.081, de 24 de agosto de 1966, que regulamenta o exercício da Odontologia no país. A norma assegura expressamente ao profissional o direito de prescrever e aplicar especialidades farmacêuticas de uso interno e externo indicadas em Odontologia.

Foco na saúde bucal. As prescrições devem estar estritamente relacionadas ao tratamento de problemas de saúde bucal, sendo permitida a indicação de medicamentos coadjuvantes quando necessário.

Situações de urgência. Em casos de urgência e de acidentes graves que comprometam a vida ou a saúde do paciente, o cirurgião-dentista tem respaldo legal para atuar e prescrever de imediato.

Responsabilidade ética e limites da prescrição

O cirurgião-dentista responde ética e civilmente pelos atos que pratica e pelas prescrições que emite. Por isso, cabe ao profissional conhecer os mecanismos de ação, os efeitos terapêuticos e as possíveis reações adversas das substâncias que indica a seus pacientes.

Proibição expressa

É vedado ao cirurgião-dentista prescrever ou aplicar medicamentos fora do âmbito da Odontologia ou que não guardem relação direta com o tratamento e o acompanhamento odontológico do paciente.

O papel do farmacêutico na dispensação

A Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014, que dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas, estabelece responsabilidades claras para o farmacêutico no momento da dispensação. De acordo com o artigo 14 da norma, cabe a esse profissional observar os aspectos técnicos e legais do receituário, com o objetivo de garantir a eficácia e a segurança da terapêutica prescrita.

Na prática, isso significa que, diante de uma receita emitida por cirurgião-dentista, o farmacêutico deve verificar se a prescrição atende aos requisitos legais e se o medicamento indicado guarda relação com a finalidade odontológica, em conformidade com as Boas Práticas Farmacêuticas previstas na RDC nº 44/2009 da Anvisa.

Principais classes de medicamentos utilizadas na Odontologia

A evolução constante da indústria farmacêutica torna dinâmicas as opções disponíveis no mercado. Entre as principais classes prescritas e utilizadas na prática odontológica, destacam-se:

  • Controle da dor: analgésicos não opioides e opioides.
  • Medicação coadjuvante: antidepressivos, no controle da dor crônica, e anticonvulsivantes, nos distúrbios dolorosos orofaciais.
  • Processos inflamatórios: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e anti-inflamatórios esteroides (AIEs).
  • Infecções: anti-infecciosos e antibacterianos.
  • Outras classes terapêuticas: antivirais, antifúngicos, anestésicos locais e gerais, ansiolíticos, relaxantes musculares e anabolizantes esteroides.
  • Cuidados específicos: dessensibilizantes, produtos para controle da hipossalivação, antissépticos e enxaguatórios bucais, além de produtos para Endodontia.

Independentemente da classe terapêutica, vale a regra central: a prescrição odontológica é legítima quando está vinculada ao tratamento e ao acompanhamento da saúde bucal do paciente.

Referências e legislação

  • AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Resolução RDC nº 44, de 17 de agosto de 2009.
  • BRASIL. Lei Federal nº 13.021, de 8 de agosto de 2014.
  • BRASIL. Lei Federal nº 5.081, de 24 de agosto de 1966.
Crédito da informação para: Juan Carlos Becerra Ligos Farmacêutico – CRF-SP 11.107
Departamento de Assuntos Regulatórios

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O Departamento de Assuntos Regulatórios orienta farmácias e drogarias associadas em questões sanitárias, receituário e fiscalização.