Empresas têm inadimplência recorde; crédito em atraso chega a R$ 86,1 bilhões
Pequenos negócios são os mais afetados pela alta dos juros; em um ano, volume de atrasos cresceu R$ 17 bilhões
Fonte: FecomercioSP · 18/09/2026
O empresariado brasileiro enfrenta dificuldade crescente para pagar dívidas, resultado do ciclo de juros elevados entre 2022 e 2025. Segundo levantamento da FecomercioSP, com base em dados do Banco Central, as empresas deviam, no segundo trimestre deste ano, em média R$ 86,1 bilhões em contas atrasadas há mais de três meses — o maior valor já registrado na história. Em um ano, o volume em atraso subiu 24%, quase R$ 17 bilhões a mais, já considerando a inflação do período.
De acordo com a FecomercioSP, o aumento da inadimplência não está relacionado a uma maior contratação de crédito — o volume de crédito avançou apenas 2,3%. A parcela em atraso subiu de 2,7% para 3,3%, o que indica que o problema está no pagamento, e não no tamanho das dívidas.
Pequenas e médias empresas sofrem mais pressão
As pequenas (receita entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões por ano) e as médias empresas registram o maior nível de atraso de toda a sua história. Juntas, respondem por cerca de 43% da carteira de crédito, mas concentram três a cada quatro reais em atraso.
Como o atraso se distribui por porte de empresa
- Pequenas empresas: R$ 33,4 bilhões em atraso (39% do total) — cerca de R$ 8 a cada R$ 100 emprestados
- Médias empresas: R$ 31,7 bilhões em atraso (37% do total), com alta de 34% em um ano — cerca de R$ 4,50 a cada R$ 100
- Microempresas: foram as que mais pioraram no último ano, com o valor saltando 45%, de R$ 6,9 bi para R$ 9,9 bilhões
- Grandes empresas: concentram quase metade do crédito total (48%), mas com atraso bem abaixo da média nacional
A média nacional de atraso é de pouco mais de R$ 3 a cada R$ 100 emprestados — o que reforça que o país não vive uma crise generalizada das empresas, mas uma pressão concentrada sobre os negócios mais frágeis.
São Paulo concentra 27% do atraso nacional
Em São Paulo, o valor em atraso soma R$ 23 bilhões — 27% de todo o atraso das empresas do país. As cinco maiores unidades da federação somam quase 60% do total, mas as maiores altas em 12 meses vieram de perfis econômicos bem diferentes entre si: Paraíba (123%), Amapá (73%), Rio Grande do Sul (67%) e Amazonas (66%) — sinal de que o problema é generalizado, não setorial nem regional.
Segundo a FecomercioSP, o mais preocupante é a falta de sinal de melhoria. Mesmo que os juros comecem a cair, o alívio é demorado: leva cerca de um ano para o efeito chegar às contas em atraso — e ainda mais tempo para as empresas recuperarem caixa e voltarem a investir.
A entidade destaca que a situação atual é diferente de outros momentos de inadimplência alta registrados no país, como o início dos anos 2000 e 2016-2017: hoje o crédito está mais disponível e a economia cresce (próximo de 2%), mas o resultado desse crescimento ainda não chega ao caixa das empresas na velocidade necessária para honrar os compromissos.
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Matéria baseada em reportagem da FecomercioSP, publicada em 18/09/2026, com dados do Banco Central. Leia a íntegra em fecomercio.com.br.





