Venda de medicamentos pelo Mercado Livre tem um obstáculo: a Anvisa
Agência afirma que não há “previsão normativa” para marketplaces comercializarem medicamentos e solicita dados à plataforma
Fonte: InvestNews / Bloomberg · 30/09/2026
O plano do Mercado Livre de expandir a venda de medicamentos sob prescrição no Brasil esbarrou em um obstáculo regulatório: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu analisar formalmente a proposta da plataforma. Em comunicado, a Anvisa afirmou não haver “previsão normativa” que autorize a intermediação de marketplaces para fins de comercialização de medicamentos.
O Mercado Livre havia anunciado, na semana passada, planos de lançar um marketplace de medicamentos com vendedores terceiros já na segunda quinzena de outubro, oferecendo tratamentos — incluindo antibióticos e medicamentos para perda de peso — por meio de farmácias parceiras.
O que a Anvisa já pediu à empresa
A agência solicitou dados ao Mercado Livre sobre os planos relacionados a medicamentos sob prescrição, exigindo requisitos equivalentes aos aplicados a farmácias e drogarias regularizadas.
Em resposta, o Mercado Livre declarou não ter recebido nenhuma notificação formal da Anvisa referente a essa solicitação, e reiterou que cumpre as normas vigentes. Em comunicado anterior, Fernando Yunes, líder da empresa no Brasil, havia afirmado que o novo modelo de marketplace conecta farmácias parceiras diretamente aos consumidores.
Como funcionaria o modelo
A companhia já opera uma farmácia própria online em São Paulo, lançada em março, que vende medicamentos diretamente. O novo modelo de marketplace, no entanto, conectaria redes de farmácias já estabelecidas aos clientes do Mercado Livre, sem a necessidade de construir uma rede física própria — com os medicamentos enviados diretamente pelas farmácias parceiras, fora dos centros de distribuição da empresa.
Impacto no mercado
Segundo o Itaú BBA, as vendas de medicamentos podem representar cerca de 5% do crescimento incremental do valor bruto de mercadoria (GMV) do Mercado Livre no Brasil até 2030 — com São Paulo, onde a operação começará, respondendo por cerca de 40% do GMV da empresa no país.
Apesar da oportunidade de ganhar participação no mercado farmacêutico, investimentos em entrega, operações farmacêuticas e estoque podem pressionar a lucratividade do e-commerce, segundo análise da XP.
As ações de redes de farmácias brasileiras já haviam caído na semana anterior, após o anúncio inicial dos planos do Mercado Livre — reação que se soma ao questionamento formal já apresentado pela Abrafarma à Anvisa sobre a legalidade da operação.
Matéria baseada em reportagem da Bloomberg, publicada pelo InvestNews em 30/09/2026. Leia a íntegra em investnews.com.br.





