Pesquisa com adultos acima de 60 anos indica efeito modesto no envelhecimento biológico; especialistas dizem que suplemento não substitui hábitos saudáveis.
Tomar um multivitamínico todos os dias pode retardar levemente o envelhecimento biológico. É o que indica um estudo recente divulgado na revista Nature Medicine, em que adultos mais velhos que tomaram o suplemento por dois anos apresentaram um envelhecimento celular cerca de quatro meses mais lento em comparação com quem recebeu placebo.
Os cientistas ressaltam que o resultado não significa viver mais anos, mas pode indicar uma melhora na saúde ao longo do envelhecimento. “Embora todos envelheçamos com o tempo, pode haver maneiras simples de retardar o processo e nos ajudar a viver não apenas mais, mas também melhor”, disse Sidong Li, médico e pesquisador de pós-doutorado na Divisão de Medicina Preventiva do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, à Healthline.
Como o estudo foi feito
O estudo acompanhou 958 adultos com 60 anos ou mais durante dois anos. Os participantes foram divididos aleatoriamente em quatro grupos, e cada um recebeu uma combinação diferente de comprimidos:
- extrato de cacau e multivitamínico;
- multivitamínico e placebo;
- extrato de cacau e placebo;
- dois placebos.
Para rastrear o envelhecimento biológico, os pesquisadores consideraram cinco tipos de “relógios epigenéticos”, recursos que calculam a idade celular com base em marcadores do DNA.
Os resultados mostraram que as pessoas que tomaram os multivitamínicos diariamente tiveram uma desaceleração no envelhecimento biológico de cerca de quatro meses ao nível celular. O efeito foi observado em dois dos cinco relógios epigenéticos utilizados no estudo.
Outro resultado chamou a atenção dos pesquisadores: participantes que já apresentavam sinais de envelhecimento biológico acelerado no início da pesquisa pareceram obter benefícios maiores com a suplementação.
Já o extrato de cacau, testado no estudo, não demonstrou efeito nas medidas de envelhecimento biológico.

Resultados são preliminares, afirmam pesquisadores
Especialistas dizem que os dados são promissores, mas ainda são preliminares. “São alterações em biomarcadores, não evidências diretas de menos ataques cardíacos, câncer ou maior expectativa de vida”, afirmou Michelle Routhenstein, nutricionista especializada em cardiologia preventiva da clínica EntirelyNourished, que não participou do estudo.
Os pesquisadores também reforçam que o estudo não significa que todos devam começar a tomar multivitamínicos e nem usá-los como uma solução mágica para o envelhecimento, uma vez que eles não substituem hábitos saudáveis.
“Manter um estilo de vida saudável continua sendo fundamental para um envelhecimento mais saudável e de maior qualidade”, afirmou Sidong Li. Na lista, entram a alimentação equilibrada, os exercícios físicos, o sono regulado, controle do estresse e não fumar.
Quem pode se beneficiar mais com os polivitamínicos?
Os multivitamínicos geralmente contêm cerca de 12 vitaminas e 10 minerais essenciais. Eles costumam ser usados para aumentar a ingestão de nutrientes, melhorar a saúde geral, prevenir doenças crônicas e reduzir o risco cardiovascular.
Segundo especialistas, os multivitamínicos podem ser especialmente úteis para pessoas que têm deficiências nutricionais, seguem dietas restritivas ou apresentam maiores necessidades nutricionais. São situações que podem ser particularmente relevantes entre pessoas mais velhas, que precisam de menos calorias, mas seguem necessitando da mesma quantidade — ou até mais — de certos nutrientes.
Apesar disso, existem as restrições. Nos Estados Unidos, por exemplo, multivitamínicos e suplementos não são rigorosamente regulados pela Food and Drug Administration (FDA). Isso significa que alguns produtos podem conter quantidades de nutrientes diferentes das indicadas no rótulo.
Além disso, certos ingredientes presentes em suplementos podem interagir com medicamentos. A recomendação é procurar um profissional de saúde antes de integrar os multivitamínicos na rotina. “Os suplementos devem complementar, e não substituir, uma dieta rica em nutrientes”, concluiu Routhenstein.





