EMS lança Ozivy, nova caneta de semaglutida, com preço cerca de 30% inferior ao do Ozempic.
A EMS afirmou nesta terça-feira (26) que o Ozivy, sua nova caneta de semaglutida aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), chegará às farmácias brasileiras em até 30 dias com preço cerca de 30% inferior ao do Ozempic.
A previsão foi anunciada pelo vice-presidente da companhia, Marcus Sanchez, durante coletiva realizada após a publicação do registro do medicamento no Diário Oficial da União. Segundo ele, a farmacêutica também prepara um programa de adesão ao tratamento, com descontos, para ampliar o acesso dos pacientes.
“Nos primeiros pacientes, a redução será maior. É um produto que está reposicionando o preço da categoria e terá um programa de adesão ao tratamento.”
— Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS
O Ozivy é a primeira semaglutida aprovada no país desde o fim da patente da Novo Nordisk, encerrada em março deste ano. A substância é a mesma utilizada nos medicamentos Ozempic e Wegovy, indicados para diabetes tipo 2 e obesidade.
Apesar da popularidade da semaglutida no tratamento da obesidade, a EMS informou que, neste primeiro momento, o Ozivy poderá ser divulgado apenas para diabetes, seguindo as indicações atualmente aprovadas em bula. A empresa já apresentou à Anvisa um pedido para ampliação das indicações do medicamento.
Projeto começou antes do fim da patente
Segundo a EMS, o desenvolvimento da plataforma utilizada para produzir a semaglutida começou anos antes da expiração da patente da Novo Nordisk. O processo regulatório teve início em 2020, quando a unidade produtiva recebeu o primeiro Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF). O registro da liraglutida, primeiro medicamento desenvolvido na plataforma, foi aprovado em 2024. Já o aval para a semaglutida foi concedido nesta terça-feira. De acordo com a companhia, foram cerca de seis anos entre as primeiras autorizações regulatórias da fábrica e a aprovação do Ozivy.
Corrida por um mercado bilionário
A aprovação abre um novo capítulo na disputa pelo mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida. Com o fim da patente, diversas farmacêuticas passaram a disputar espaço em um segmento que cresceu rapidamente nos últimos anos, impulsionado pela procura por tratamentos para diabetes e obesidade.
A EMS avalia que ainda existe uma demanda reprimida significativa e aposta que a combinação entre preço mais baixo e maior oferta pode acelerar a expansão desse mercado.
O que foi aprovado
📌 Apresentações aprovadas — registro válido até junho de 2036
• Solução injetável de 1,34 mg/ml em cartucho de 1,5 ml com caneta aplicadora
• Solução injetável de 1,34 mg/ml em dois cartuchos de 1,5 ml
• Solução injetável de 1,34 mg/ml em cartucho de 3 ml
• Solução injetável de 1,34 mg/ml em dois cartuchos de 3 ml
Pode chegar ao SUS?
Questionado sobre uma eventual incorporação da semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS), Sanchez afirmou que o governo acompanha com atenção o potencial dessa classe de medicamentos, mas reconheceu que o custo continua sendo um dos principais obstáculos para sua adoção em larga escala na rede pública. Segundo ele, existem discussões sobre formas de ampliar o acesso a esses tratamentos no futuro, mas não há qualquer acordo ou definição envolvendo o Ozivy.
EMS mira próxima geração de medicamentos
Durante a coletiva, Sanchez também afirmou que a empresa já investe no desenvolvimento de uma versão da tirzepatida, substância usada no Mounjaro, da Eli Lilly. Segundo o executivo, a EMS já protocolou pedidos regulatórios relacionados ao produto nos Estados Unidos e pretende disputar esse mercado quando a proteção patentária permitir a entrada de novos concorrentes. Atualmente, a tirzepatida é considerada a principal concorrente da semaglutida no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
40 milhões de unidades e aposta de faturamento
A expectativa da EMS é que o Ozivy se torne o medicamento de maior faturamento da empresa nos próximos 12 meses. A plataforma utilizada tem capacidade produtiva de até 40 milhões de unidades anuais, volume que a farmacêutica considera suficiente para atender à demanda esperada pelo medicamento no país.
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