Levantamento mostra que 79% das empresas brasileiras perdem negócios por falta de tecnologia adequada.
Existe um tipo de falência mais silenciosa e difícil de reverter do que a financeira. Chama-se falência tecnológica — e ela já está em curso em boa parte do mercado brasileiro.
Fonte: Exame · Foto: Reprodução
Quando uma empresa quebra, a narrativa que estamos acostumados a ouvir é relacionada a questões financeiras — falta de caixa, fim do acesso ao crédito, sem margem de lucro. Mas há um tipo de falência que vem antes disso, mais silenciosa e mais difícil de reverter. É a falência tecnológica, e ela já está em curso em boa parte do mercado brasileiro.
O diagnóstico da defasagem nas empresas
Um levantamento da Galileo Financial Technologies ouviu 600 CTOs e CIOs de empresas de médio e grande porte, e o dado que mais chamou atenção é que 79% das companhias brasileiras perdem negócios por não terem tecnologia adequada.
Não se trata somente de Inteligência Artificial, mas da adoção de sistemas até mais básicos, como CRM, ferramentas de gestão de projetos, soluções para promoção da marca, cuidado com os funcionários e prospecção comercial.
⚠ O que preocupa não é o tamanho do número
É a naturalização. A maioria das empresas sabe que tem um problema tecnológico, mas pouquíssimas tratam isso como urgência estratégica.
O perigo da adoção decorativa
O que mais se vê é a “adoção decorativa”: a empresa fala em transformação digital nas reuniões de diretoria e segue operando com sistemas fragmentados, dados inconsistentes e processos que dependem apenas de planilhas e de memória humana. Não há a devida inserção tecnológica na cultura do time.
“Dados presos em silos não geram inteligência operacional, geram ruído.”
📊 Dado do estudo
Cerca de 65% dos líderes brasileiros admitiram que lançar um novo recurso tecnológico seria difícil ou impensável no momento por causa de problemas de integração entre sistemas existentes. A limitação não é só de ferramentas — é de arquitetura.
O custo invisível da ineficiência
As empresas que mais resistem ao investimento tecnológico são justamente as que mais sofrem com ineficiência operacional — em sua maioria por acharem que a tecnologia está longe do seu negócio principal, logo é gasto, não investimento. O resultado são ciclos de venda longos, dificuldade de reter clientes e uma defasagem que pode se tornar irreversível.
Como reverter o cenário analógico
O que falta, em geral, não é tecnologia, mas disposição para investir de forma estruturada, integrando fontes de dados, garantindo a qualidade da informação e construindo uma base que oriente decisões de verdade. Empresas que operam dessa forma têm ciclos mais curtos, retenção mais alta e capacidade de identificar oportunidades que passariam invisíveis em um modelo analógico.
O mercado já oferece recursos necessários para automatizar processos, integrar dados e tomar decisões com mais precisão. O custo de não fazer isso cresce a cada mês. As empresas e gestores que ainda operam com tecnologia superficial estão acumulando uma dívida competitiva que, em algum momento, vai cobrar seu preço.
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