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Testes de glicose em escola: pelo menos 15 pessoas são medicadas em hospital da Barra

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Testes de glicose em escola: pelo menos 15 pessoas são medicadas em hospital da Barra
Saúde & Biossegurança

Testes de glicose em escola: pelo menos 15 pessoas são medicadas em hospital da Barra

Reutilização de lanceta durante feira de ciências no Rio de Janeiro expõe participantes a risco de contaminação e reforça a importância do descarte correto de material perfurocortante

Fonte: O Globo · 13/09/2026

O Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca (RJ), informou que pelo menos 15 pessoas procuraram a unidade entre sábado e domingo para tratamento profilático, após se submeterem a testes de medição de glicose em uma feira de ciências realizada na unidade II do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes.

Segundo relatos, uma estudante levou um kit de teste de glicose para o evento e utilizou a mesma lanceta — agulha usada para coletar a gota de sangue — em até três pessoas diferentes, contrariando a recomendação do fabricante, que prevê uso individual e descarte a cada teste.

⚠️ Protocolo de exposição a risco biológico

O Ministério da Saúde recomenda que, em casos de possível exposição a sangue de terceiros por compartilhamento de material perfurocortante, a pessoa procure atendimento médico em até 72 horas para avaliação e, se indicado, início de medicação antirretroviral preventiva contra HIV e hepatites — tratamento que dura 30 dias.

Segundo a direção do colégio, o equipamento deveria apenas ser exibido no estande da feira, sem realização de testes em participantes; a atividade teria começado sem autorização da equipe pedagógica, próximo do encerramento do evento, que reuniu cerca de 3 mil pessoas entre alunos e responsáveis. Assim que percebida a situação, o aparelho e a caixa de lancetas foram recolhidos e a Vigilância Sanitária municipal foi acionada. A escola informou que todos os testes realizados até o momento deram resultado negativo e que está oferecendo acompanhamento às famílias envolvidas.

Por que o cuidado com lancetas importa

O caso reacende um alerta relevante para o varejo farmacêutico: dispositivos de automonitoramento de glicose — amplamente vendidos em farmácias e drogarias — são, por definição, de uso individual e intransferível. Lancetas, agulhas e tiras reagentes usadas configuram resíduo perfurocortante e biológico, com risco real de transmissão de doenças quando reutilizadas ou descartadas de forma inadequada.

Boas práticas na orientação ao cliente

  • Reforçar, no ato da venda, que lancetas e agulhas são de uso único e pessoal
  • Orientar sobre o descarte correto de material perfurocortante em recipientes apropriados
  • Alertar especialmente em contextos coletivos — escolas, eventos, campanhas de saúde — onde a supervisão de um profissional habilitado é indispensável para qualquer procedimento com coleta de sangue

Medições de glicemia capilar e outros testes com coleta de sangue devem ser realizados somente por profissionais capacitados, com técnica asséptica e material individual — nunca em atividades escolares ou eventos sem supervisão especializada.

Farmácia: ponto de referência em orientação segura

Episódios como este reforçam o papel da farmácia e do farmacêutico como fontes confiáveis de orientação sobre uso correto de dispositivos de automonitoramento e descarte seguro de resíduos — um dos temas centrais da capacitação em Logística Reversa de Medicamentos e Embalagens promovida pelo Sincofarma/SP.

Matéria baseada em reportagem publicada por O Globo em 13/09/2026, com informações complementares de veículos que cobriram o caso.