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Quase 90% de conteúdos virais sobre saúde são falsos, diz Agência Lupa

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Quase 90% de conteúdos virais sobre saúde são falsos, diz Agência Lupa
Saúde

Quase 90% de conteúdos virais sobre saúde são falsos, diz Agência Lupa

Relatório Raio-X da Desinformação em Saúde analisou 764 materiais checados desde 2017 e aponta as estratégias mais usadas para enganar o público

Fonte: Agência Brasil · 20/10/2026

Dos 764 conteúdos virais sobre saúde verificados pela Agência Lupa entre março de 2017 e junho de 2026, 667 eram falsos, ou 87,3%. Os números fazem parte do relatório Raio-X da Desinformação em Saúde, publicado pela primeira agência de checagem do Brasil com apoio da Afya, grupo de ensino médico.

Em média, a Lupa checou cerca de 72 falsidades virais em saúde por ano, o equivalente a seis por mês.

Pico na pandemia

Em 2020 e 2021, a agência checou cerca de dez vezes mais conteúdos de saúde do que nos três anos anteriores, num total de 452 conteúdos virais. Segundo a Lupa, o padrão de desinformação já existia antes da covid-19, mas passou a aparecer em volume muito maior.

As estratégias mais usadas

EstratégiaParticipação
Falsa autoridade médica ou científica21,6%
Medo e linguagem alarmista17%
Distorção de estudos e dados15,7%
Soluções simples para problemas complexos12,6%

Para a fundadora da Lupa, Cristina Tardáguila, a desinformação se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições.

Temas mais recorrentes

  • Covid-19: 61%;
  • Tratamentos, cura e prevenção: 34%;
  • Alimentos, bebidas e nutrição: 24%.

Vacinas

As vacinas respondiam por 9,1% das checagens de saúde antes da pandemia. A fatia subiu para 33,2% durante a emergência sanitária e para 38,9% entre 2022 e 2024, e caiu para 20% entre 2025 e junho de 2026. Das 244 alegações sobre vacinas analisadas, 212 (86,9%) foram classificadas como falsas.

Ao menos 142 conteúdos citavam figuras públicas, como Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Lula. A Lupa ressalta que isso não significa que essas pessoas tenham produzido ou endossado a alegação: terceiros usam a reputação delas.

Onde circulam

O WhatsApp aparece em mais de 70% das 498 checagens analisadas na seção de plataformas. O Facebook tem 126 registros (25,3%) e o Instagram, 35 (7%).

Como ler esses números

Os percentuais se referem aos conteúdos que chegaram à Lupa e foram checados, e não a tudo o que circula na internet. Os dados não permitem afirmar que o WhatsApp seja a origem das falsidades nem que concentre a maior parte da desinformação em saúde. A Lupa recebe pedidos de verificação por um canal próprio no WhatsApp, o que pode favorecer a identificação de conteúdos que circulam mais ali. Uma mesma publicação também pode passar por várias plataformas antes de chegar ao público.

Em dúvida sobre uma informação de saúde, vale confirmar em fontes oficiais e com profissionais de saúde antes de compartilhar.

Matéria baseada em reportagem da Agência Brasil, publicada em 20/10/2026, sobre relatório da Agência Lupa.