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Uso em excesso da pílula do dia seguinte pode provocar efeitos adversos severos

Consumo excessivo de pílula do dia

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O relato de uma jovem nas redes sociais sobre o consumo excessivo de pílula do dia seguinte viralizou nos últimos dias.

 

De acordo com o vídeo, a moça teria sofrido um acidente vascular cerebral (AVC), após tomar 72 pílulas do dia seguinte em três meses. Segundo ela, o namorado a teria instruído a tomar as pílulas todas as vezes que tivessem relações sexuais, pois alegou que o medicamento seria responsável por diminuir a vontade de fazer sexo. “Ele disse que quem toma anticoncepcional não tem libido e disse para eu tomar a pílula do dia seguinte e assim fiz”, afirmou.

 

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A pílula do dia seguinte, cujo princípio ativo é o levonorgestrel, não é considerada um método contraceptivo. Ela se distingue dos demais anticoncepcionais por ser utilizada na anticoncepção hormonal de emergência para prevenir gravidez indesejada ou inoportuna após relação sexual que, por alguma razão, aconteceu de forma desprotegida. Já os métodos de anticoncepção convencionais previnem a concepção antes e durante as relações. É importante lembrar que a pílula do dia seguinte também não oferece proteção alguma contra doenças sexualmente transmissíveis, como o vírus o HIV, causador da aids e deve ser utilizada preferencialmente em até 72 horas após o coito.

 

De acordo com a farmacêutica Fátima Aragão, coordenadora do GT sobre Farmácia Comunitária do Conselho Federal de Farmácia (CFF), a avaliação sobre risco benefício deve ser considerada, pois esse método emergencial exige cautela e rigorosa avaliação médica em pacientes com antecedentes de trombose prévia, asma, enxaqueca, doença cardíaca, aumento de pressão do crânio, diabetes, dentre outras doenças ou riscos desconhecidos. Ela alerta sobre os agravos em seguir conselhos de pessoas não habilitadas sobre o uso ou indicação de qualquer medicamento. Ressalta, ainda, que a diminuição da libido é algo multifatorial e que, na maioria dos casos, não é apenas associado ao uso de contraceptivos hormonais. “Portanto, é mais seguro fazer uma boa avaliação, exames e cuidar da saúde em sua totalidade do que seguir orientações que podem prejudicar, agravar ou serem nocivas”, alerta.

 

Saiba mais

A contracepção de emergência tem entre seis e 20 vezes a mais que um comprimido de contraceptivo comum. Isso que gera os vários efeitos colaterais. Se a mulher ainda não ovulou, ele retarda a liberação de um novo óvulo. Se a ovulação já ocorreu, acelera a descamação do endométrio, o que provoca a menstruação. A medicação também “engrossa” o muco vaginal – para dificultar a passagem dos espermatozoides.

 

A recomendação é que a pílula seja usada, no máximo, de três a quatro vezes ao ano. Se a mulher toma o anticoncepcional tradicional, por exemplo, não precisa usar a pílula do dia seguinte. Porém, em situações onde houve esquecimento, a pílula pode ser indicada. 

 

Consumo excessivo de pílula do dia
Consumo excessivo de pílula do dia

 

Em 2021, a maquiadora Laís Amaral, também fez relatos sobre sequelas deixadas pelo uso da chamada “pílula do dia seguinte”. A jovem desenvolveu uma trombose no pulmão por conta dos efeitos adversos. Laís teve o diagnóstico de tromboembolismo, em 2016. Àquela altura, havia sofrido duas paradas cardiorrespiratórias, além de ter ficado 12 dias em coma. Antes da internação, a maquiadora começou a sentir sintomas estranhos em seu corpo, incluindo muito enjoo, até que um dia desmaiou no banheiro de casa e colidiu a cabeça.
Em caso de uso excessivo deste medicamento, procure rapidamente socorro médico e leve a embalagem ou bula, se possível. Não receba conselhos de amigos, namorados ou de quem não entende sobre medicamentos. Oriente-se com seu médico ou com um farmacêutico.

 

De acordo com o protocolo para utilização na anticoncepção hormonal de emergência do levonorgestrel, as principais indicações são: 

– deslocamento do diafragma; 
– rompimento do preservativo; 
– esquecimento prolongado do anticonceptivo oral ou atraso do injetável; 
– coito interrompido em que ocorre derrame do sêmen na vagina; 
– cálculo incorreto do período fértil, erro no período de abstinência ou interpretação equivocada da temperatura basal; 
– casos de violência sexual quando a mulher ou adolescente são privadas de escolha e submetidas à gravidez indesejada; 
– relação sexual desprotegida sem uso de nenhum método contraceptivo e preservativos (masculino ou feminino).

 

 

Foto: Reprodução
Fonte: CFF