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BBC testa repelentes de mosquito: qual é mais eficaz?

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Em meio à explosão do número de casos de dengue no Brasil, o repelente pode ser um importante aliado na hora de prevenir a doença.

Mas, diante de tantas opções no mercado, qual escolher? Será que todos realmente funcionam?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda o uso de repelentes registrados no órgão para proteger contra a picada do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus causador da dengue.

(Confira aqui a lista de repelentes para uso na pele regularizados pela agência)

A maioria utiliza um dos seguintes ingredientes ativos: DEET, IR3535 e icaridina (também chamada de picaridina). Mas não são os únicos que tiveram sua segurança e eficácia aprovadas pela Anvisa, como havia sugerido anteriormente o órgão.

“Todos os repelentes de uso para a pele registrados na Anvisa tem ação contra o mosquito da dengue, podendo haver alterações na duração (necessidade de reaplicação) e limite de uso de acordo com a formulação de cada produto, conforme informado na rotulagem“, esclarece a agência.

Um experimento realizado pelo programa de rádio Sliced Bread, da BBC Radio 4, testou a eficácia de algumas substâncias popularmente conhecidas para repelir mosquitos.

Compartilhamos os resultados a seguir:

 

O experimento

Em parceria com o professor James Logan, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido, o apresentador do programa, Greg Foot, testou produtos tópicos (para uso na pele) com três princípios ativos diferentes: DEET, citronela e PMD.

O DEET (N,N-dimetil-meta-toluamida), desenvolvido por militares americanos na década de 1940, é um ingrediente sintético encontrado nas fórmulas de muitos repelentes.

Já o óleo essencial da planta citronela é um ingrediente natural. Vale destacar que o produto usado neste experimento foi um spray para o corpo que contém óleo de citronela — e não um produto comercializado especificamente para repelir mosquitos.

O PMD (p-mentano 3,8-diol) é encontrado, por sua vez, no óleo do eucalipto-limão, e é especialmente formulado em alta concentração para agir como repelente.

Para o experimento, o programa da BBC utilizou uma caixa coberta por uma tela contendo 100 mosquitos.

A metodologia previa que o apresentador colocasse o braço logo acima da tela — primeiramente sem repelente (teste de controle, para servir como base de comparação) e, na sequência, com diferentes opções de repelentes borrifadas em seu braço.

O professor cronometrou o tempo e contou quantos mosquitos pousavam na tela e tentavam morder Greg, para depois comparar os resultados com o teste de controle.

O DEET e o PMD foram considerados altamente eficazes no experimento — nenhum mosquito tentou picar o apresentador e muito poucos pousaram na tela.

“O PMD pode ser uma alternativa muito boa, se você não quiser usar o DEET. É uma alternativa natural. Algumas das fórmulas podem não durar tanto, mas contanto que você siga as instruções da embalagem (para reaplicação), você pode usar o PMD”, diz Logan.

Já a citronela não foi tão eficaz no teste quanto as outras duas substâncias, embora tenha tido um desempenho melhor do que não usar nenhum repelente.

Logan diz que qualquer efeito repelente à base de citronela provavelmente terá vida curta — e recomenda produtos que contenham DEET, PMD, IR3535 ou icaridina. Segundo ele, esses são os ingredientes ativos que têm eficácia comprovada cientificamente contra mosquitos.

É importante destacar que o teste realizado pelo programa não foi um experimento científico propriamente dito.

Mas, de acordo com Logan, os resultados foram semelhantes aos publicados em pesquisas científicas.

 

Como aplicar o repelente da maneira correta

Logan observa que não basta ter os ingredientes ativos adequados. Para o repelente ser eficaz, ele precisa ser aplicado corretamente “como um protetor solar” em toda a pele exposta do corpo.

“Você precisa aplicar como um protetor solar, cobrindo todas as áreas expostas do corpo. Já vi algumas pessoas borrifando (repelente) no ar e meio que entrando (na nuvem criada pelo spray), como um perfume. Isso não vai funcionar. Você tem que aplicar (o repelente) como um protetor solar para obter cobertura total”, diz o especialista.

A Anvisa lembra, por sua vez, que o produto só deve ser aplicado nas roupas se houver indicação expressa no rótulo.

E, dependendo da concentração das substâncias presentes no repelente, seu efeito será mais ou menos duradouro.

“Se você usar (um repelente com) 20% de DEET, por exemplo, funciona muito bem, mas pode não durar tanto. Quanto maior a porcentagem, mais tempo ele vai durar normalmente. Mas nunca é necessário ultrapassar 50%. 50% é o máximo que você deve usar”, explica Logan.

É fundamental, portanto, seguir as instruções do fabricante presentes na embalagem para saber quando reaplicar o produto.

 

Uso de repelentes em crianças

No caso de crianças, é importante, mais uma vez, prestar atenção no rótulo, uma vez que cada princípio ativo tem suas particularidades e restrições de uso dependendo da idade.

“Por exemplo, o uso de produtos repelentes de insetos que contenham o ingrediente DEET não é permitido em crianças menores de dois anos”, adverte a Anvisa.

“Já em crianças de 2 a 12 anos, o uso de DEET é permitido desde que a sua concentração não seja superior a 10%, restrita a apenas três aplicações diárias, evitando-se o uso prolongado”, acrescenta a agência.

 

Mulher passando repelente em criança

 

Via oral?

A Anvisa alerta ainda que “não há produtos de uso oral, como comprimidos ou vitaminas, com indicação aprovada para repelir o mosquito da dengue”.

 

Produtos para uso no ambiente

Além dos repelentes para aplicação na pele, há ainda produtos para uso no ambiente que prometem ajudar na proteção contra o Aedes aegypti.

De acordo com a Anvisa, eles podem ser inseticidas, indicados para matar os mosquitos adultos, vendidos principalmente na forma de spray e aerossol. Ou repelentes, destinados a apenas afastar os mosquitos, encontrados na forma de espirais, líquidos e pastilhas usadas, por exemplo, em aparelhos elétricos.

(Confira aqui os produtos para uso no ambiente regularizados pela Anvisa)

O órgão adverte, no entanto, que os repelentes usados em aparelhos elétricos ou espirais não devem ser colocados em locais com pouca ventilação, tampouco na presença de pessoas com asma ou alergias respiratórias.

“Podem ser colocados em qualquer ambiente da casa desde que estejam, no mínimo, a dois metros de distância das pessoas”, acrescenta.

A agência também alerta sobre outros tipos de tecnologia de combate aos mosquitos:

“Os equipamentos que emitem vibrações, CO2 ou luz, plantas e sementes que funcionariam como atrativos para os mosquitos ou equipamentos com outras tecnologias não são considerados saneantes (produtos para uso no ambiente) passíveis de regularização junto à Anvisa.”

 

Vela queimando
Velas aromáticas

Muita gente recorre a velas aromáticas na expectativa de se livrar do Aedes aegypti. Mas será que elas funcionam?

A Anvisa afirma que produtos “naturais” — à base de citronela, andiroba, óleo de cravo, entre outros — não possuem comprovação de eficácia.

“Ou seja, as velas, os odorizantes de ambientes, os limpadores e os incensos que indicam propriedades repelentes de insetos não estão aprovados pela agência”, acrescenta o órgão.

O professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres destaca que para produtos como velas terem algum efeito, a substância teria que se acumular no ar.

 

Leia também: DPSP registra 2000% de crescimento em exames de dengue

 

“Velas de citronela podem parecer bonitas e cheirar bem, mas não repelem os mosquitos”, afirma Logan.

A Anvisa esclarece ainda que o óleo de neem, que possui a substância azadiractina, é aprovado pela agência para uso em inseticidas, mas o produto precisa estar registrado no órgão regulatório.

 

Outras formas de prevenir a doença

O uso de repelente é uma forma de proteção individual contra a picada do mosquito que transmite o vírus causador da dengue. Mas há outras formas de se proteger.

A vacina é, sem dúvida, uma das maneiras mais eficazes de prevenir a infecção pela doença. Mas como as doses ainda não são suficientes para toda a população e não são todos os grupos que poderão tomar o imunizante neste momento, é importante buscar outras formas de prevenção.

Uma das ações preventivas mais efetivas envolvem eliminar os criadouros do mosquito transmissor — 80% dos focos do mosquito estão dentro das residências em locais como caixas d’água, vasos de planta, piscinas e até bebedouros de animais.

Para a eliminação de criadouros, a recomendação é evitar água parada e manter reservatórios e qualquer local que possa acumular água cobertos com telas ou tampas.

O professor James Logan também sugere colocar mosquiteiros nas camas e usar roupas compridas e folgadas — porque se o tecido estiver rente à pele, os mosquitos conseguem te picar.

“Se (a roupa) estiver folgada, significa que geralmente eles não conseguem alcançar a pele”, explica.

Ele acrescenta que o uso de ar-condicionado e ventiladores pode ajudar um pouco em ambientes fechados, uma vez que os mosquitos não gostam de voar no ar frio, nem de “turbulências”.

“Não vai ser 100% eficaz, mas vai ter um impacto”, diz Logan.

Mosquito picando a pele de uma pessoa

 

Principais sintomas da dengue

Dor de cabeça, dor no corpo, dor atrás dos olhos, febre, enjoo, vômito e manchas vermelhas são alguns sintomas da doença. Mas a dengue também pode causar sonolência, irritabilidade e confusão mental.

A doença é dividida em dois grupos: a dengue clássica e a hemorrágica, quando a infecção começa a destruir plaquetas responsáveis pela coagulação, e o paciente passa a ter sangramentos na gengiva ou nas fezes.

Não há um medicamento específico para o tratamento da dengue. Os remédios disponíveis para amenizar os sintomas devem ser indicados por um médico, já que muitos deles, usados no dia a dia e vendidos sem a necessidade de receita médica nas farmácias, podem aumentar o risco de sangramento.

 

Foto: Reprodução
Fonte: BBC