Preço do whey protein sobe 900% em cinco anos e setor enfrenta risco de colapso estrutural.
Demanda disparada por múltiplas indústrias, popularização das canetas emagrecedoras e nova cerveja proteica pressionam ainda mais o mercado global de proteína do soro do leite.
Fonte: Folha · Foto: Reprodução
Executivos de grandes empresas veem a cerveja proteica produzida em larga escala como a próxima fronteira do mercado. Lançada em janeiro de 2025, a Beer Protein é pioneira no segmento, ainda de nicho — mas o movimento já é observado com preocupação pelas companhias de suplementos alimentares, como mais um sinal de que o setor de proteína do soro do leite pode caminhar para o colapso estrutural.
⚠ Disparada de preço do WPC
O mercado global da proteína do soro do leite, avaliado em cerca de US$ 15 bilhões, já enfrenta escassez. O quilo do WPC (whey protein concentrado), que custava US$ 4 em 2021, chegou a US$ 40 em 2026 — alta de 900%.
A demanda pela matéria-prima disparou em múltiplas frentes ao mesmo tempo, já que diferentes indústrias fabricam produtos proteicos. O ambiente de insumos tem custos proibitivos para fabricantes de menor escala.
— Marcelo Bella, presidente da Abenutri
Canetas emagrecedoras aumentam a demanda
Daniel Mencacci, CEO da Fitoway, ressalta que o consumo de proteína aumentou “absurdamente”. Ele aponta um fator extra: a popularização das canetas emagrecedoras. Efeitos colaterais do medicamento, como a redução de apetite e a náusea, tornam os shakes proteicos mais atrativos para a ingestão de proteína.
“É muito mais fácil tomar um shake do que comer um alimento.”
— Daniel Mencacci, CEO da Fitoway
Diferentes empresas do segmento importam matéria-prima dos Estados Unidos, cada vez mais disputada por multinacionais e gigantes do setor alimentício ou de bebidas.
📊 Projeção do mercado de bebidas funcionais
Segundo a Grand View Research, companhias de bebidas funcionais devem movimentar cerca de US$ 335,4 bilhões até 2030. A motivação vai além da saudabilidade — há também o apelo de marketing da proteína, cada vez mais presente no imaginário do consumidor.
Falsificação e adulteração em expansão
⚠ Riscos apontados pela Abenutri
A falsificação e adulteração da proteína acabada estão em expansão, resultado do preço elevado do insumo e da pressão sobre as margens de lucro. O WPC com 47% é o insumo de maior demanda no mercado.
A Fitoway afirma que a saída passa por reformulação de mix, busca de fornecedores alternativos e reajuste de preços — medidas que, segundo Mencacci, ainda não são suficientes para compensar a magnitude da crise.
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