NR-1: por que muitas empresas ainda têm dificuldade para se adequar aos riscos psicossociais.
Falta de integração entre áreas, ausência de metodologia única e preparo das lideranças estão entre os principais desafios para atender às exigências da norma.
Fonte: Contábeis · Foto: Reprodução
A entrada em vigor das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) trouxe um desafio adicional para empresas de todos os portes: identificar, avaliar e monitorar os riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. Especialistas alertam que muitas companhias ainda enfrentam dificuldades para transformar a exigência legal em um processo efetivo de gestão.
O principal obstáculo é a compreensão equivocada de que a adequação se resume à aplicação de questionários ou a ações isoladas de bem-estar. Na prática, a norma exige que os fatores psicossociais sejam incorporados ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), com identificação dos perigos, avaliação dos riscos, definição de medidas preventivas e monitoramento contínuo.
“A atualização da NR-1 não trata apenas de saúde mental, mas da forma como o trabalho é organizado dentro das empresas. Trata-se de um processo estruturado de gestão, que exige integração entre diferentes áreas e uma atuação contínua.”
— Eleine Passos, consultora organizacional da Consultoria Impacto Humano (CIH)
Falta de integração dificulta adequação
Historicamente, a gestão de riscos ocupacionais ficava concentrada nas áreas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). No entanto, fatores psicossociais estão ligados à cultura organizacional, liderança, metas, comunicação e relações interpessoais.
⚙ Áreas que precisam atuar de forma integrada
RH · SST · Jurídico · Medicina do Trabalho · CIPA · Comunicação Interna · Lideranças · Alta gestão
Outro ponto de insegurança é a ausência de uma metodologia única definida pelo governo. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), não existe ferramenta obrigatória para avaliação dos riscos psicossociais — cabe a cada empresa definir métodos adequados à sua realidade.
Sobrecarga e liderança despreparada são os principais riscos
⚠ Fatores mais negligenciados pelas empresas
• Sobrecarga de trabalho e metas excessivas
• Falta de clareza sobre funções e responsabilidades
• Jornadas prolongadas e baixa autonomia para decisões
• Ausência de reconhecimento profissional e conflitos interpessoais
• Assédio moral, falhas de comunicação e lideranças despreparadas
“Muitas organizações ainda associam saúde mental apenas a questões individuais, quando diversos fatores organizacionais podem desencadear ou agravar quadros de estresse, ansiedade e esgotamento emocional.”
— Milena Mendes, especialista em saúde mental corporativa
O risco de transformar a NR-1 em mera burocracia
Segundo Milena, os riscos psicossociais não podem ser avaliados apenas por formulários ou documentos. É necessário investigar a realidade da empresa, ouvir os trabalhadores e analisar clima organizacional, liderança, processos e indicadores de saúde ocupacional.
📊 Dados do relatório GPTW — Tendências em Gestão de Pessoas 2026
• Apenas 22% das empresas iniciaram treinamentos sobre NR-1 para suas lideranças
• Apenas 35,3% das organizações já realizaram o mapeamento dos riscos psicossociais
Com a fiscalização cada vez mais atenta à gestão dos riscos ocupacionais, especialistas avaliam que as empresas que tratarem o tema apenas como obrigação documental poderão enfrentar dificuldades para comprovar conformidade.
NR-1 — Adequação à Gestão de Riscos Ocupacionais
O Sincofarma/SP, em parceria com a Mafit Consultoria e Treinamento, oferece atendimento exclusivo para adequar sua farmácia ou drogaria à NR-1: inventário de risco, avaliação, laudo técnico e PGR quando necessário — cobrindo todo o Estado de São Paulo, para associados e não associados.
Responsável técnica: Suely Murtinho — psicóloga, mais de 40 anos de experiência em RH, Segurança do Trabalho e varejo farmacêutico.
Sincofarma/SP — Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo
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