Reposição de testosterona em mulheres não é recomendação geral, alertam sociedades médicas.
Anvisa e entidades médicas reforçam que a indicação depende de avaliação individual, em meio à circulação de conteúdos nas redes sociais que defendem o uso do hormônio para disposição, libido e aparência.
Fonte: Metrópoles · Foto: Reprodução
A reposição de testosterona em mulheres não é uma recomendação geral e deve ser feita apenas em situações específicas, após avaliação médica. A orientação vem de sociedades médicas e de dados acompanhados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em meio à circulação de conteúdos nas redes sociais que defendem o uso do hormônio para melhorar disposição, libido e aparência.
Segundo especialistas, a ideia de que toda mulher precisa repor testosterona para manter a saúde ou evitar efeitos do envelhecimento não tem base científica. A indicação depende de análise individual, com avaliação de sintomas, exames e histórico clínico.
Quando o uso é indicado
De acordo com entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), há apenas uma indicação reconhecida para o uso terapêutico da testosterona em mulheres.
📋 Única indicação reconhecida
O hormônio pode ser considerado em casos de transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa. Mesmo nessa situação, o tratamento deve ser avaliado com cautela e indicado apenas quando outras abordagens não apresentaram resultado.
As entidades também alertam que a prática de dosar testosterona como exame de rotina, ou a justificativa de “déficit androgênico”, não têm respaldo científico e podem levar a prescrições sem necessidade.
Riscos do uso sem indicação
O uso de testosterona sem indicação clínica, em doses inadequadas ou combinado com outras substâncias, pode causar efeitos adversos.
🚫 Possíveis efeitos adversos
• Acne e queda de cabelo
• Alterações no fígado
• Mudanças nos níveis de gordura no sangue
• Problemas cardiovasculares
• Registros de dependência psíquica associada ao uso de hormônios desse tipo
Dados de farmacovigilância da Anvisa mostram aumento nas notificações de eventos adversos relacionados a medicamentos anabolizantes nos últimos anos, com maior número de registros em 2024. Testosterona e somatropina concentram a maior parte desses relatos.
A agência destaca que esse crescimento pode estar ligado a uma maior notificação por parte de pacientes e profissionais de saúde, além da ampliação dos sistemas de registro, e não necessariamente a um aumento proporcional de problemas.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que promessas de benefícios gerais, como mais energia ou melhora estética, devem ser vistas com cautela e não substituem a avaliação médica individual.
💡 Orientação para farmácias e drogarias
O tema reforça a importância da orientação farmacêutica responsável e do encaminhamento de pacientes à avaliação médica individualizada antes de qualquer decisão sobre reposição hormonal, especialmente diante da disseminação de conteúdos sobre o assunto nas redes sociais.
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