Pular para o conteúdo principal

Sincofarma SP

Uso simultâneo de medicamentos exige alerta e revisão médica constantes

Compartilhe:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Uso simultâneo de medicamentos exige alerta e revisão médica constantes
Saúde & Envelhecimento

Uso simultâneo de medicamentos exige alerta e revisão médica constantes

A polifarmácia está associada a reações adversas — o certo, segundo especialista da USP, é apostar no uso racional de medicamentos

Fonte: Jornal da USP · 22/09/2026

Para envelhecer com saúde, bem-estar e qualidade de vida, vale a pena ficar alerta para o que se chama de polifarmácia — o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, geralmente um recurso utilizado por quem trata de múltiplas doenças crônicas, mas que também traz riscos.

39–45%
dos idosos no mundo se encaixam no perfil de polifarmácia
18–57%
variação de prevalência estimada no Brasil
5+
medicamentos em uso simultâneo caracterizam a polifarmácia

De acordo com o médico, pesquisador e coordenador do programa USP 60+ Egídio Dorea, a condição é muito mais comum entre mulheres, pacientes com várias comorbidades e pessoas com mais de 75 anos.

“Embora muitas vezes esses remédios sejam necessários, o excesso é um grande problema.”

— Egídio Lima Dorea, médico e coordenador do programa Envelhecimento Ativo (USP)

Os riscos do excesso

O uso excessivo de medicamentos está associado a reações adversas, interações perigosas entre substâncias, quedas, episódios de confusão mental e hospitalizações. Segundo Dorea, o maior problema é o aumento do risco de iatrogenia — os danos não intencionais causados pelo próprio tratamento médico.

Classes de medicamentos mais associadas ao uso prolongado inapropriado

  • Benzodiazepínicos (remédios para dormir)
  • Anti-inflamatórios
  • Inibidores de bomba de prótons

Usados, muitas vezes, sem uma indicação clínica clara para continuidade.

O caminho é a revisão periódica, nunca a interrupção por conta própria

Para se livrar desse ciclo, Dorea recomenda o uso racional de medicamentos e a chamada desprescrição — mas alerta que o paciente idoso não deve parar os remédios por iniciativa própria. O ideal é sentar com o médico e revisar a lista de medicamentos periodicamente, com o objetivo de reduzir doses ou suspender itens que não trazem mais benefício e que podem causar mais mal do que bem.

“É vital perguntar ao médico: ‘ainda preciso deste remédio? Há algo não medicamentoso que possa substituí-lo?’ Isso evita a perigosa ‘cascata medicamentosa’, onde o médico receita um novo remédio apenas para tratar o efeito colateral de outro medicamento que o paciente já estava tomando.”

— Egídio Lima Dorea, USP 60+

Envelhecer com saúde não significa tomar mais remédios, mas usar apenas o necessário, de maneira inteligente e segura.

O papel da farmácia no cuidado com a polifarmácia

No balcão, o farmacêutico está entre os profissionais mais bem posicionados para observar sinais de interação medicamentosa e reforçar, junto ao paciente, a importância de levar sempre a lista completa de medicamentos em uso às consultas — contribuindo para revisões mais seguras e eficazes.

Matéria baseada em reportagem publicada pelo Jornal da USP em 22/09/2026, com fala do médico Egídio Lima Dorea, coordenador do programa USP 60+. Leia a íntegra em jornal.usp.br.