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Uso indiscriminado de canetas emagrecedoras por jovens preocupa médicos no Brasil

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SBP alerta para uso sem controle de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes
Sincofarma / SP
Saúde & Uso Racional de Medicamentos · Agosto de 2026
Alerta de Saúde

SBP alerta para o uso sem controle de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes.

Especialistas apontam riscos de medicamentos comprados sem registro na Anvisa e sem acompanhamento médico, incluindo casos de aplicação em menores de idade.

Fonte: G1  ·  Foto: Reprodução

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) fez um alerta para um risco que atinge crianças e adolescentes: o uso sem controle de canetas emagrecedoras. O tema veio à tona a partir de vídeos publicados em redes sociais, nos quais responsáveis relatam a compra desses medicamentos fora do país e sua aplicação em menores de idade, sem prescrição médica.

Em um dos casos relatados, uma mulher aplica em uma adolescente de 17 anos, que tem autismo, um medicamento adquirido no Paraguai — produto sem registro na Anvisa e, portanto, de uso irregular no Brasil.

🚫 Uso irregular e sem controle

O uso de medicamentos sem registro na Anvisa é totalmente irregular. Casos como o relatado não são isolados: outros responsáveis também afirmam ter buscado esses produtos no Paraguai para aplicar em filhos, sem qualquer acompanhamento médico.

O termo “canetas emagrecedoras” pode banalizar o uso

Especialistas alertam que o termo popular “canetas emagrecedoras” pode banalizar o uso desses medicamentos. Diferentemente de uma caneta comum — objeto simples, de uso corriqueiro, que se troca, testa ou empresta —, esses remédios exigem prescrição, indicação precisa e acompanhamento contínuo. As evidências científicas mostram que são efetivos e seguros quando bem indicados, como parte de um tratamento supervisionado.

Riscos para o desenvolvimento de adolescentes

O uso sem indicação médica pode reduzir demais a ingestão de calorias e de nutrientes essenciais. Segundo especialistas, isso pode comprometer o crescimento, a formação óssea e o desenvolvimento da massa muscular de adolescentes, que ainda estão em fase de desenvolvimento.

A gente tem que ter uma prescrição muito séria com relação a essas medicações, com indicações precisas e com acompanhamento por especialista. Porque a gente está vendo um adolescente ainda em fase de crescimento. Então, várias das doenças que acontecem no futuro têm que ser prevenidas nessa fase. Dra. Cristiane Kochi — Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria

Produtos sem registro: risco imprevisível

Além do uso sem acompanhamento médico, especialistas alertam para os riscos específicos de medicamentos que não possuem registro na Anvisa.

Quando o produto não está registrado, ele não está avaliado, ele não tem controle. Então, esse produto pode ter contaminação, ele pode ter variação da concentração da medicação nele, ele pode ter até uma outra substância que a gente não sabe qual. Então, o efeito colateral, assim como a eficácia, eles são imprevisíveis. Dra. Maria Edna de Melo — Coordenadora de Advocacy da Abeso

💡 Orientação para farmácias e drogarias

O caso reforça a importância da orientação farmacêutica junto à população sobre os riscos de medicamentos adquiridos sem registro na Anvisa, especialmente quando destinados a crianças e adolescentes. Farmácias e drogarias associadas têm papel fundamental no esclarecimento aos consumidores sobre a necessidade de prescrição médica e acompanhamento profissional contínuo para o uso seguro dessas medicações.