Uso simultâneo de medicamentos exige alerta e revisão médica constantes
A polifarmácia está associada a reações adversas — o certo, segundo especialista da USP, é apostar no uso racional de medicamentos
Fonte: Jornal da USP · 22/09/2026
Para envelhecer com saúde, bem-estar e qualidade de vida, vale a pena ficar alerta para o que se chama de polifarmácia — o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, geralmente um recurso utilizado por quem trata de múltiplas doenças crônicas, mas que também traz riscos.
De acordo com o médico, pesquisador e coordenador do programa USP 60+ Egídio Dorea, a condição é muito mais comum entre mulheres, pacientes com várias comorbidades e pessoas com mais de 75 anos.
“Embora muitas vezes esses remédios sejam necessários, o excesso é um grande problema.”
— Egídio Lima Dorea, médico e coordenador do programa Envelhecimento Ativo (USP)Os riscos do excesso
O uso excessivo de medicamentos está associado a reações adversas, interações perigosas entre substâncias, quedas, episódios de confusão mental e hospitalizações. Segundo Dorea, o maior problema é o aumento do risco de iatrogenia — os danos não intencionais causados pelo próprio tratamento médico.
Classes de medicamentos mais associadas ao uso prolongado inapropriado
- Benzodiazepínicos (remédios para dormir)
- Anti-inflamatórios
- Inibidores de bomba de prótons
Usados, muitas vezes, sem uma indicação clínica clara para continuidade.
O caminho é a revisão periódica, nunca a interrupção por conta própria
Para se livrar desse ciclo, Dorea recomenda o uso racional de medicamentos e a chamada desprescrição — mas alerta que o paciente idoso não deve parar os remédios por iniciativa própria. O ideal é sentar com o médico e revisar a lista de medicamentos periodicamente, com o objetivo de reduzir doses ou suspender itens que não trazem mais benefício e que podem causar mais mal do que bem.
“É vital perguntar ao médico: ‘ainda preciso deste remédio? Há algo não medicamentoso que possa substituí-lo?’ Isso evita a perigosa ‘cascata medicamentosa’, onde o médico receita um novo remédio apenas para tratar o efeito colateral de outro medicamento que o paciente já estava tomando.”
— Egídio Lima Dorea, USP 60+Envelhecer com saúde não significa tomar mais remédios, mas usar apenas o necessário, de maneira inteligente e segura.
O papel da farmácia no cuidado com a polifarmácia
No balcão, o farmacêutico está entre os profissionais mais bem posicionados para observar sinais de interação medicamentosa e reforçar, junto ao paciente, a importância de levar sempre a lista completa de medicamentos em uso às consultas — contribuindo para revisões mais seguras e eficazes.
Matéria baseada em reportagem publicada pelo Jornal da USP em 22/09/2026, com fala do médico Egídio Lima Dorea, coordenador do programa USP 60+. Leia a íntegra em jornal.usp.br.





