Pular para o conteúdo principal

Sincofarma SP

Farmácias reagem e Abrafarma questiona Anvisa sobre avanço do Mercado Livre no setor

Compartilhe:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Farmácias reagem e Abrafarma questiona Anvisa sobre avanço do Mercado Livre no setor
Varejo Farmacêutico

Farmácias reagem e Abrafarma questiona Anvisa sobre avanço do Mercado Livre no setor

Entrada do marketplace na venda de medicamentos com receita derruba ações de grandes redes e abre nova frente regulatória no setor

Fonte: Valor Econômico e outros veículos · 28/09/2026

O anúncio do Mercado Livre de que passaria a vender medicamentos com receita — inclusive com retenção de receita — provocou forte reação do varejo farmacêutico nesta semana. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) informou que vai questionar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a legalidade da operação, que começou a valer em São Paulo.

-5,38%
queda das ações da RD Saúde (RADL3) na B3
-8%
queda das ações da Pague Menos (PGMN3)
20
farmácias parceiras previstas na Grande SP até dez/2026

O que motiva o questionamento da Abrafarma

A Abrafarma enviou ofício à Anvisa pedindo esclarecimentos urgentes sobre a operação, questionando se a plataforma pode atuar no modelo de marketplace antes da conclusão do processo regulatório em aberto na agência. Segundo a entidade, a venda de medicamentos por marketplaces continua proibida até que essa regulamentação seja concluída.

O que a própria Anvisa já esclareceu

Em comunicado de 10 de agosto de 2026, a Anvisa afirmou que a revogação de resoluções da vigilância sanitária “não implica em autorização automática de comercialização de produtos farmacêuticos” — e que a aplicação da nova legislação depende de regulamentação ainda a ser editada, que passará por consulta pública.

A Abrafarma reforça que o processo regulatório em curso na diretoria colegiada da Anvisa tem como finalidade estabelecer requisitos sanitários que preservem a proteção sanitária, a rastreabilidade das operações e a responsabilidade técnica dos estabelecimentos envolvidos.

O que dizem outras entidades do setor

Edison Tamascia, presidente da Febrafar, afirmou que a estratégia das plataformas digitais precisa vir acompanhada de critérios regulatórios e competitivos claros — segundo ele, medicamento não é uma mercadoria comum, e sua comercialização precisa seguir regras sanitárias envolvendo farmácias e drogarias devidamente licenciadas. Tamascia destacou que a Febrafar está alinhada à posição da Abrafarma quanto à necessidade de clareza regulatória, fiscalização e igualdade de condições entre os diferentes canais de venda.

Executivos do setor ouvidos pela imprensa especializada reforçam que a transformação tecnológica faz parte do futuro do varejo farmacêutico, mas exige clareza regulatória sobre como as novas possibilidades digitais devem ser aplicadas na prática.

Como funciona a operação anunciada

Segundo a empresa, a receita do paciente é enviada a um farmacêutico, que registra os dados nos órgãos competentes antes de a compra seguir para a logística de entrega — modelo que a companhia já opera em outros países da América Latina, como Argentina, Chile, Colômbia e México. A expansão no Brasil segue um piloto iniciado após a aquisição de uma farmácia própria e a obtenção da licença necessária, inicialmente restrito a medicamentos isentos de prescrição.

A movimentação ocorre após mudanças na legislação federal que passaram a admitir arranjos digitais de entrega para farmácias, e após a Anvisa liberar, em agosto, uma série de marketplaces — incluindo Shopee, Mercado Livre, iFood, Rappi e B2W — que antes tinham restrições para atuar nesse mercado.

Matéria baseada em reportagens publicadas por diferentes veículos especializados (Valor Econômico, Panorama Farmacêutico, Exame e outros) entre 24 e 28/09/2026 sobre a entrada do Mercado Livre na venda de medicamentos com receita.