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Em quais idades o corpo sente mais dor? A ciência pode ter encontrado a resposta

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Em quais idades o corpo sente mais dor? A ciência pode ter encontrado a resposta
Saúde

Em quais idades o corpo sente mais dor? A ciência pode ter encontrado a resposta

Estudo com mais de 6 milhões de pessoas em 118 países mostra que a dor cresce mais rápido antes dos 55 anos, e não na velhice

Fonte: Nature Medicine / Universidade McGill · 14/10/2026

A dor não aumenta de forma contínua com a idade. Um estudo publicado na revista Nature Medicine, liderado pela Universidade McGill (Canadá), analisou dados de 6.125.459 pessoas de 118 países e territórios, entre 1990 e 2025, e concluiu que a dor cresce mais rapidamente antes dos 55 anos. Foram avaliadas 11 regiões do corpo, em pessoas dos 5 aos 100 anos.

Em que idade cada dor atinge o pico

Picos de prevalência por região do corpo

  • Dor abdominal: por volta dos 23 anos.
  • Dor de cabeça: por volta dos 34 anos.
  • Pescoço e ombros: por volta dos 62 anos.
  • Costas, quadris e joelhos: seguem aumentando depois dos 75 anos.

Em sete das 11 regiões, a prevalência segue uma curva em “U invertido”: sobe na vida adulta, atinge um pico e depois diminui ou se estabiliza. A dor lombar foi a queixa mais comum, com prevalência média de cerca de 40%. Dores viscerais e enxaquecas aparecem em idades mais jovens, enquanto as dores de quadris e joelhos estão ligadas ao desgaste e à sobrecarga acumulados.

As mulheres relataram mais dor que os homens em todas as 11 regiões do corpo e em quase todas as faixas etárias.

Diferenças entre países e fatores de risco

Entre pessoas com 80 anos ou mais, a prevalência de dor é 30,6 pontos percentuais maior em países com IDH mais baixo do que nos de IDH alto. Cerca de 18,3% da carga global de dor física está ligada a fatores de risco modificáveis, como tabagismo, obesidade e baixa renda. Os autores atribuem a diferença entre os sexos a uma combinação de fatores biológicos e sociais, como hormônios, estresse e exposições ocupacionais.

O que considerar

A dor foi relatada pelos próprios participantes, e não diagnosticada clinicamente, pois não pode ser medida por exames de imagem. Os mecanismos que explicam as diferenças entre homens e mulheres ainda não foram esclarecidos. Os pesquisadores também criaram a Global Pain Benchmarking Tool, plataforma aberta que compara queixas de dor de grupos específicos com referências globais, de forma parecida com as curvas de crescimento infantil. Dor persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Matéria baseada em reportagens sobre o estudo publicado na Nature Medicine, como Mix Vale e Universidade do Porto. As informações não substituem a avaliação médica.