O poder econômico dos grisalhos
População 60+ cresce rápido e já movimenta trilhões, mas ainda é pouco ouvida pelas empresas, aponta FecomercioSP
Fonte: FecomercioSP · Revista Problemas Brasileiros · 26/10/2026
As empresas precisam ouvir o público 50+ em toda a sua diversidade para atendê-lo melhor. A tese está em reportagem publicada pela FecomercioSP na Revista Problemas Brasileiros, que mostra um mercado em rápida expansão, mas frequentemente ignorado pelo varejo e pelos serviços.
Uma população que não para de crescer
A população com 60 anos ou mais passou de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025, e sua participação subiu de 11,3% para 16,6%. Até 2070, deve chegar a 75,3 milhões de pessoas, ou 37,8% da população.
Segundo estimativas da FecomercioSP, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, a participação de famílias chefiadas por pessoas de 60 anos ou mais deve passar de 23,5% nos anos 2020 para mais de 50% em 2060.
| Projeção de crescimento, 2020 a 2060 | Variação |
|---|---|
| Planos e serviços de saúde | 190% |
| Habitação | 130% |
| Consumo total | 108% |
| Educação | 44% |
Como esse público consome
Na pandemia, muitos aprenderam a comprar on-line e gostaram da comodidade. Kelly Carvalho, da FecomercioSP, descreve um “consumidor híbrido”, que usa os canais digitais, mas, em certas situações, prefere atendimento humano. Nas lojas físicas, uma saída é combinar o autoatendimento no caixa com atendentes.
Em 2024, os brasileiros com mais de 60 anos movimentaram R$ 1,6 trilhão, segundo o Sebrae. Para Luiz Augusto Zazeri, do Senac Santo Amaro, pessoas de 50 a 60 anos gastam mais do que jovens de 15 a 25, por terem maior poder aquisitivo.
Setores com espaço para crescer
- Saúde: cuidados de longo prazo, prevenção de doenças e suplementação alimentar com produtos específicos para a idade. A FecomercioSP ressalva que a saúde é, em grande parte, responsabilidade do Estado;
- Habitação: crescimento do senior living (condomínios com assistência médica e outros serviços) e de produtos para adaptar moradias à mobilidade e à acessibilidade;
- Academias: público idoso em alta, com demanda por aulas e treinos específicos;
- Salões de beleza e turismo: alguns destinos, como os religiosos, têm mais de 70% de público maduro;
- Bancos, seguros e serviços financeiros: apontados como setores com muito a crescer.
Trabalho e tecnologia
Os idosos têm buscado mais espaço no mercado de trabalho. Zazeri observa maior reconhecimento da experiência, sobretudo em multinacionais, e estudos que indicam menor rotatividade do que entre os jovens.
Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2025 (Cetic.br/NIC.br), 81% dos usuários de internet com 60 anos ou mais acessam a rede somente pelo celular, sem computador. Isso reforça a necessidade de sites e aplicativos legíveis em telas pequenas e com etapas simples. Um estudo citado por Cristián Sepúlveda, CEO da Silver Hub, estima cerca de 350 agetechs (empresas de tecnologia para a longevidade) no Brasil, enquanto nos Estados Unidos fundos de capital de risco investem US$ 5 bilhões no setor.
Cuidados ao atender o público 50+
O que os entrevistados recomendam
- Reconhecer a diversidade: o grupo inclui pessoas que trabalham e aposentadas, autônomas e dependentes, com diferenças de escolaridade, território, renda e patrimônio;
- Evitar a “cegueira etária”: segundo Sepúlveda, o preconceito leva gestores a ignorar esse mercado;
- Ir além do marketing: não basta usar pessoas grisalhas em campanhas, é preciso envolver o público no desenvolvimento das soluções;
- Evitar estereótipos: considerar mudanças fisiológicas, como menor acuidade visual e auditiva, sem tratar todo idoso como “superidoso”;
- Corrigir falhas de projeto: letras pequenas, jornadas 100% digitais e ícones pequenos afastam o cliente;
- Não presumir aversão à tecnologia nem deixar o público sem atendimento humano acessível.
Para os pequenos negócios, o custo de se adaptar a vários canais pode ser alto, e a proximidade e o atendimento humanizado podem compensar. A reportagem lembra ainda que os hábitos atuais não se repetirão automaticamente nas próximas gerações, e as empresas precisam atualizar suas estratégias de forma constante.
O que o texto não informa
A reportagem não cita farmácias nem o varejo farmacêutico, e as projeções para 2020 a 2060 são estimativas da FecomercioSP. A autoria não aparece no corpo do texto, e o nome Filipe Lopes consta apenas nos metadados da página.
Matéria baseada em reportagem da FecomercioSP, publicada originalmente na Revista Problemas Brasileiros, em 26/10/2026.





