MSF pressiona Gilead por maior acesso global ao lenacapavir, medicamento contra o HIV.
Campanha foi lançada horas antes da Reunião de Alto Nível da ONU sobre HIV/AIDS. Medicamento tem eficácia próxima de 100% na prevenção da infecção.
Fonte: Panorama Farmacêutico · Foto: Reprodução
Horas antes da Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU sobre HIV/AIDS, em Nova York, o Instituto Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançou uma campanha exigindo que a farmacêutica norte-americana Gilead Sciences amplie o acesso global ao lenacapavir, medicamento utilizado na prevenção da infecção pelo HIV.
Não é o primeiro movimento do MSF contra a companhia neste ano: em março, a ONG já havia publicado uma carta aberta solicitando maior cooperação na comercialização do fármaco, após a Gilead exigir que o MSF obtivesse suas doses pelo Fundo Global — cujo fornecimento é limitado a apenas 18 países, muitas vezes diferentes daqueles em que o MSF atua.
Eficácia quase total na prevenção do HIV
💊 Sobre o lenacapavir
O lenacapavir é uma forma de profilaxia pré-exposição (PrEP) administrada apenas duas vezes ao ano, com eficácia próxima de 100% na prevenção da infecção pelo HIV — potencial considerado revolucionário, especialmente para grupos em maior risco.
“Milhões de pessoas precisam do lenacapavir agora. No período inicial da epidemia de HIV/AIDS, ficamos sem alternativas em lugares como a África do Sul enquanto empresas farmacêuticas vendiam seus antirretrovirais a quem podia pagar mais. Sabemos como isso terminou: vimos nossos pacientes com HIV morrerem e comunidades inteiras serem devastadas.”
— Dr. Tom Ellman, diretor da Unidade Médica da África Austral (SAMU) de MSF
Preço e restrições de acesso
⚠ Dados sobre preço e restrição
• A Gilead cobra mais de US$ 28.000 (R$ 144,4 mil) por ano por paciente nos Estados Unidos
• O MSF defende um preço de até US$ 40 por ano de proteção (duas injeções)
• O Brasil está entre os países excluídos de se beneficiarem de versões genéricas do lenacapavir, apesar do aumento da incidência de HIV
“A Gilead afirma que quer acabar com a epidemia de HIV ‘para todos, em todos os lugares’, mas sua estratégia levanta sérias dúvidas. Já é problemático que tenham excluído países com aumento da incidência de HIV, como o Brasil, de se beneficiarem de versões genéricas do lenacapavir.”
— Melissa Barber, assessora de advocacy em saúde global de MSF EUA
Agora, o MSF demanda também que os governos utilizem todas as ferramentas legais disponíveis para contestar o monopólio da Gilead, de modo que outros fabricantes possam ajudar a ampliar a oferta global e reduzir ainda mais os preços.
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