Proteína, musculação e estética: os mercados que crescem com o boom das canetas de emagrecimento
Pesquisa da McKinsey mostra como usuários de medicamentos GLP-1 estão mudando a alimentação e os exercícios e levando novos clientes a academias, suplementos e clínicas.
Fonte: Época Negócios · novembro/2026
A expansão das canetas de emagrecimento começou a movimentar negócios que não vendem medicamentos. Proteínas, suplementos, academias e tratamentos estéticos aparecem entre os destinos do dinheiro gasto pelos consumidores depois do início do tratamento com remédios da classe GLP-1. As mudanças alcançam um mercado global de bem-estar avaliado pela McKinsey em R$ 14,8 trilhões (US$ 2,7 trilhões). Só nos Estados Unidos, o setor movimenta cerca de R$ 3,8 trilhões (US$ 700 bilhões) e cresce de 5% a 10% ao ano.
O que mudou na rotina dos usuários
Segundo a pesquisa da McKinsey, divulgada na terça-feira (3/11), entre os entrevistados que disseram usar esses medicamentos:
Usuários de GLP-1, segundo a pesquisa
- 35% passaram a consumir mais proteínas;
- 19% acrescentaram suplementos à rotina;
- 18% começaram a fazer musculação.
Para a reportagem, os números ajudam a dimensionar uma “segunda onda econômica” criada por medicamentos como Wegovy, Ozempic e Mounjaro: a redução do apetite e a perda de peso alteram o volume e o tipo de alimento consumido e também as compras feitas para preservar massa muscular, praticar exercícios e lidar com mudanças na aparência.
Mais proteína e menos lanches
A McKinsey ouviu mais de 10 mil consumidores na China, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos para a edição 2026 de seu estudo anual sobre bem-estar. O aumento do consumo de proteína abre espaço para alimentos enriquecidos, bebidas prontas, barras, pós e refeições pensadas para quem come porções menores, mas busca atingir metas nutricionais. Segundo a consultoria, algumas categorias crescem na esteira dos medicamentos, enquanto outras, como salgadinhos e lanches salgados, encolhem. Isso ajuda a explicar por que as empresas de consumo reformulam produtos, reduzem porções e destacam proteína e fibras nas embalagens.
Entre os produtos lançados nos Estados Unidos em 2026, 33% traziam alguma alegação de saúde ou bem-estar, ante 24% em 2021. Marcas que crescem mais de 20% ao ano têm mais que o dobro de probabilidade de colocar saúde e bem-estar no centro da proposta.
Ganho de massa muscular, controle de peso, prebióticos, sono e saúde cerebral estão entre os argumentos mais frequentes nos novos produtos.
Academias e clínicas de estética
Os 18% de usuários que começaram a treinar força representam um público potencial para academias, personal trainers, aplicativos de exercícios e produtos de recuperação física. No mercado de estética, prestadores consultados pela McKinsey relataram que 63% dos pacientes que usavam GLP-1 e procuraram tratamentos faciais não eram clientes ativos desse mercado antes da perda de peso. O dado vem de uma pesquisa anterior com 174 spas médicos, consultórios dermatológicos, clínicas de cirurgia plástica e outros prestadores nos Estados Unidos. Cerca de metade dos novos clientes nunca havia cogitado um procedimento antes de emagrecer, e os demais já consideravam a possibilidade, mas ainda não haviam contratado o serviço.
As principais demandas foram flacidez, qualidade da pele e perda de volume no rosto, com procura por preenchimentos, aparelhos de energia e cirurgias faciais.
O que a reportagem não informa
Os percentuais mostram o comportamento declarado pelos consumidores, e não o faturamento das empresas com esse grupo. A pesquisa foi feita na China, na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos, e a reportagem não traz dados do Brasil. Também não informa quantos entrevistados usam GLP-1 nem a margem de erro. O dado sobre estética vem de outro levantamento, com prestadores dos Estados Unidos. A matéria não trata de riscos do uso de suplementos ou de proteínas em excesso. Qualquer mudança de alimentação, suplementação ou tratamento deve ser acompanhada por profissionais de saúde.
Matéria baseada em reportagem da Época Negócios, publicada em novembro de 2026, com dados da McKinsey (Future of Wellness Trends).





