Psyllium, o “Ozempic natural”: o que a ciência realmente comprova — e o que ainda é promessa das redes sociais.
Suplemento rico em fibras solúveis tem benefícios comprovados para intestino, colesterol e glicemia — mas não emagreceu mais que placebo nos estudos. Entenda como e para quem indicar.
Fonte: O Globo · Foto: Reprodução
Impulsionado pelas redes sociais e apelidado de “Ozempic natural”, o psyllium se tornou um dos suplementos mais populares do momento. Rico em fibras solúveis (mucilagem), ele forma um gel ao entrar em contato com a água — o que está por trás de seus principais efeitos documentados. Mas o que as pesquisas realmente comprovam?
O que a ciência confirma
✅ Benefícios com evidência científica mais sólida
• Digestão: ajuda no tratamento da prisão de ventre e da síndrome do intestino irritável. Por absorver também o excesso de líquido no intestino, pode auxiliar tanto na constipação quanto na diarreia. Provoca menos gases que outros suplementos de fibra
• Colesterol: análise de 28 estudos (2018) mostrou pequena redução no LDL em quem consumiu cerca de 10 g/dia por ao menos três semanas
• Glicemia: revisão de 2024 mostrou redução discreta nos níveis de glicose — especialmente em pessoas com diabetes tipo 2 ou pré-diabetes
“O psyllium é o suplemento de fibra preferido dos gastroenterologistas, pois já demonstrou ajudar no tratamento da prisão de ventre e da síndrome do intestino irritável.”
— William D. Chey, chefe de gastroenterologia da Michigan Medicine
O que as redes sociais prometem — mas a ciência não confirma
⚠ Emagrecimento: sem diferença em relação ao placebo
Embora o psyllium aumente a sensação de saciedade por uma ou duas horas, uma revisão de 22 estudos (2020) com adultos com sobrepeso ou obesidade concluiu que ele não apresentou diferença em relação ao placebo quanto a peso, IMC ou circunferência da cintura.
A comparação com o Ozempic não tem respaldo científico — os mecanismos e a intensidade dos efeitos são completamente distintos.
Como usar com segurança
💊 Orientações para a dispensação
• Pode ser consumido diariamente com segurança — mas deve ser ingerido com ao menos 1 a 2 copos de água e boa hidratação ao longo do dia (risco de endurecimento no intestino)
• Evitar nas 2 horas antes ou depois de medicamentos — pode reduzir a absorção
• Começar com doses menores (~5 g/dia na 1ª ou 2ª semana) para reduzir gases e desconforto
• Usar com cautela em pessoas com gastroparesia ou histórico de obstrução intestinal
• Indicado para quem não atinge a recomendação diária de fibras (25 a 38 g/dia) apenas pela alimentação
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